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10 anos de Virada Cultural: música, artistas, polícia e granizo
Eu Fui
19 maio 2014 | Por Jornalismo Júnior

Nesse fim de semana foi realizada mais uma edição da Virada Cultural em São Paulo, evento que completa 10 anos e já é considerado um “patrimônio cultural da cidade” pelo secretário municipal da cultura, Juca Ferreira. Inspirada na “Nuit Blanche” parisiense, que há 12 anos anima a cidade-luz com instalações de arte e intervenções urbanas, a Virada também propõe “virar” a noite com diversas atrações, principalmente as musicais, para assumir o espaço público.

Desde a primeira Virada, que ocorreu em 2005, o centro da cidade concentra o maior número de palcos, propiciando uma vivência maior dessa região pela população. Ao mesmo tempo, a parceria com CEU ‘s (Centro Educacional Unificado) e SESCs (Serviço Social do Comércio) espalha outros eventos pela cidade, principalmente pela periferia. Além disso, os museus também se abrem com programação especial. E a melhor parte? É tudo tarifa zero.

Ao longo dos anos, o evento cresceu tomando proporções cada vez maiores e diversificando suas atrações. Em 2007, tivemos pela primeira vez um palco de dança no Anhangabau, no qual a renomada bailarina Ana Botafogo dançou no ano seguinte e novamente neste, numa apresentação com o coreógrafo argentino Luis Arrieta, de “O Cisne”. A dupla começou a se apresentar antes do previsto, o que fez com que várias pessoas perdessem a chance de ver a bailarina, e acabou rapidamente para aqueles que conseguiram assistir: foram só quatro minutos.

A 6ª ediçao da Virada inaugurou uma pista de música eletrônica no Largo São Francisco, que se mantém até hoje, mas de forma ampliada. Além da pista na frente da Faculdade de Direito, mais dois outros locais abrigaram uma festa eletrônica: a pista na Princesa Isabel e a pista no Largo Santa Efigênia. Nos anos que se seguiram, também foram incorporados ao evento um palco reservado para comédia Stand-up, que no ano de inauguração contou com Fábio Porchat e Danilo Gentili e neste ano teve tradução simultânea para linguagem de sinais das piadas de Rafinha Bastos, entre outros; um ringue de luta livre que trouxe até lutadores mexicanos, mas que não voltou a acontecer este ano; a vinda de restaurantes renomados da cidade para as ruas. E para completar as crianças ganharam uma programação especial: a Viradinha, atração que, pela primeira vez neste ano, foi 24 horas e dividiu a Praça Roosevelt com apresentações de circo que também se estenderam por toda a Virada.

Atrações Musicais
Mesmo com a variedade de programação, o carro chefe das Viradas sempre foi a música. Desde 2005, nomes famosos da música brasileira como João Bosco, Gal Costa, Jorge Ben Jor, Rita Lee, Gilberto Gil, Novos Baianos, Paulinho da Viola, Daniela Mercury e Criolo já se apresentaram. Mas a Virada também ganhou fama por trazer nomes desconhecidos e lançar tendências. Esse ano, concentrou artistas como Tulipa Ruiz, com um show dançante; Mariana Aydar, que após 40 minutos de atraso, rapidamente cativou o público presente; e O Terno, cujo show a chuva interrompeu no palco Líbero Badaró.

Isso para não mencionar os nomes internacionais. Só nesse ano, o palco de Jazz e Soul na República contou com quatro artistas de fora, incluindo Fefé um franco-nigeriano e Blitz the Ambassador um ganês-americano. Infelizmente, porém, uma das bandas internacionais mais aguardadas, Martha Reeves & The Vandellas, teve o show cancelado devido à tempestade.

As bandas covers também têm tido espaço no programa: em 2009, um palco totalmente dedicado a Raul Seixas atraiu muitos fãs e, em 2011, a Boulevard São João ficou tomada por 24 horas de músicas dos Beatles, tocadas pela banda cover Beatles 4ever. Esse ano, o palco Rio Branco abrigou a recriação na íntegra de discos importantes, como Felipe Cordeiro que interpretou Expresso 2222 do Gil.

A grande atração inaugural de 2014 foi o reencontro do Ira!. Os irmãos não tocavam juntos fazia sete anos e fizeram um show completo: mais de uma hora e meia contemplaram vinte e duas músicas, entre elas grandes sucessos como “Longe de Tudo” e “Envelheço na “Cidade”, além de canções menos famosas, mas que alegraram os fãs da banda.

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Show do Ira! abre a Virada no palco Júlio Prestes. Foto: Nelson Antoine/Milenar Imagem.

Violência
Mas, nem tudo são flores. Apesar da preocupação com a violência, que marcou a Virada ano passado com duas mortes, seis esfaqueados, três baleados, alto índice de arrastões, roubos e prisões em flagrante, esse ano não foi muito diferente. Mesmo com o perímetro menor, por recomendação da Polícia Militar, ocorreram pelo menos 18 casos de arrastões em diversas regiões do centro, duas pessoas foram baleadas e outras duas foram esfaqueadas. Esse ano também ocorreu tumulto no Largo São Francisco, foram jogadas bombas de gás lacrimogêneo contra a população, tática que parece ter se tornado bem comum. Ocorreram mais de cem detenções, mas a PM ainda não apresentou um balanço oficial, segundo reportagem da Folha de São Paulo.

A primeira morte durante a Virada ocorreu em 2010, quando um jovem foi esfaqueado durante uma briga. Porém, casos de violência marcam a virada desde 2007, quando houve tumulto entre os policiais militares e os fãs da banda Racionais MC’s na Sé.

Granizo e Cancelamentos
Além dos casos de violência, outro grande contratempo (e bota contratempo nisso!) prejudicou a virada. Por volta das quatro da tarde de domingo, o céu ficou preto e, em poucos minutos, começou a chuva. No palco Líbero Badaró, as pessoas ainda tentaram se abrigar junto aos prédios e a banda “O Terno”, que se apresentava, permaneceu tocando – a guitarra pesada dando um ar apocalíptico. Mas, foi tudo em vão. Quando a tempestade mostrou não ser passageira e o granizo começou a cair, tanto a banda quanto as pessoas desistiram. Na estação São Bento do metrô, pessoas encharcadas tremiam de frio e tiravam foto do granizo que se acumulava no chão.

Outros shows também sofreram paradas súbitas e cancelamentos devido à chuva. Entre eles, os shows da Céu, que ia interpretar o albúm Catch a Fire do Bob Marley; do MC Gui; da Roberta Miranda; e do Pagode 90, foram todos cancelados. Valesca Popozuda, porém, resistiu à tempestade e continuou o show, encerrando com seu grande sucesso “Beijinho no Ombro” e trazendo de volta a multidão que se dispersava. Parece que por ela, foi beijinho não só pras invejosas, mas pro granizo também.

Por Isabel Lima
isaseta@gmail.com

Confira agora as impressões de quem pode acompanhar a Virada de perto:

Vanessa da Mata, palco Júlio Prestes

Sarau da Cooperifa, Ladeira da Memória

O maior palco da Virada, o centro de São Paulo

Marcelo Jeneci e Tiago Iorc, palco palco Libero Badaró

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