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10 grandes polêmicas do Prêmio Nobel
História da Ciência
22 ago 2018 | Por Jornalismo Júnior
Por Larissa Silva (larissa.carolina_@hotmail.com)

Imagem: Reprodução

O Prêmio Nobel é uma das maiores e mais renomadas premiações internacionais. Anualmente são indicadas pessoas ou instituições que contribuíram com a humanidade através de descobertas e criações nos campos da física, química, medicina, literatura e paz. No entanto, apesar de ser um prêmio grandioso atualmente, sua origem não teve a mesma essência. Nobel vem do nome de Alfred Nobel, inventor que ficou rico por meio da fabricação de armas e pela venda de suas criações, como a dinamite. A culpa de ter causado sofrimento a milhares de pessoas fez com que Alfred Nobel deixasse sua herança de 32 milhões de coroas suecas para a criação de uma fundação que administrasse a premiação de pessoas que fizessem o bem para a humanidade — foi criada então a Fundação Nobel. A cerimônia ocorre todos os anos no dia da morte de Alfred Nobel, 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega, e Estocolmo, na Suécia. Assim como seu criador, a premiação — ou a falta dela —  está cercada por polêmicas e controvérsias que estão longe de acabar. Abaixo segue a lista de algumas que continuam a ser debatidas e criticadas até hoje:   

 

10. Erros acontecem. Johannes Fibiger era um microbiólogo dinamarquês que recebeu, em 1926, o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pela descoberta de que os causadores do câncer são os vermes. Fibiger chegou a essa conclusão após experiências utilizando ratos alimentados com baratas infectadas com alguns vermes. A descoberta foi muito apreciada naquele momento, pois a busca por uma causa para o câncer era uma grande caçada para os cientistas. Ele recebeu várias indicações ao Prêmio Nobel a partir de 1922, sendo contemplado apenas em 1926. No entanto, após uma década, testes comprovaram que essa teoria estava errada. O que Fibiger observou nos ratos não foram lesões cancerosas provocadas por vermes, mas crescimentos benignos causados pela deficiência de vitamina A, resultantes da alimentação pouco nutritiva que o microbiologista oferecia aos ratos. Cientistas acreditam que a descoberta dele foi imprecisa e mal executada pelo mesmo.

 

9. Muito jovem para isso. Malala Yousafzai é uma ativista paquistanesa e a pessoa mais jovem a ganhar um Prêmio Nobel. Após um ataque enquanto ia para a escola, em 2012, no Paquistão, Malala —  que já lutava pelo direito à educação — foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2014 pela suas ações “contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação”. Porém, na época ela tinha 17 anos, assim houve uma onda de dúvidas sobre se era certo conceder um prêmio tão renomado para alguém tão jovem. Até então, a pessoa mais jovem a ganhar um Nobel era o físico australiano Lawrence Bragg, que ganhou o Nobel de Física em 1915, aos 25 anos. Foram tantas críticas acerca da escolha que o prêmio acabou sendo dividido com o indiano Kailash Satyarthi, de 60 anos.

 

8. Esquecidos pelo comitê. Carlos Chagas foi um médico sanitarista e cientista brasileiro que descobriu, após diversos estudos, relação entre o inseto popularmente conhecido por Barbeiro e o protozoário que ele havia descoberto, o Trypanosoma cruzi. Assim, Chagas conseguiu estudar e analisar o ciclo da doença conhecida hoje por Doença de Chagas (causada pelo protozoário que está no inseto), se tornando um dos únicos cientistas a descrever todo o processo de uma enfermidade. As descobertas do médico sanitarista foram de extrema importância tanto nacional quanto internacional, porém, ele nunca recebeu um Nobel. O nome do cientista até foi lembrado em dois momentos: em 1913, quando quem venceu foi o francês Charles Robert Richet, que descreveu uma reação alérgica e em 1921, ano em que não houve nenhum vencedor. Sebastião Rosa, trabalhador da zona rural, relata a experiência que teve com o seu pai diagnosticado com a Doença de Chagas: “Ele tinha dores e palpitações. Era muito triste ver ele daquele jeito, tudo por causa de um bichinho tão pequeno. O bom é que ele se tratou desde o ínicio, mas ainda é algo tão comum, as pessoas têm e não sabem”. Outro nome esquecido pela academia foi de Gandhi. Seus esforços pela independência da Índia nunca foram considerados pelo comitê de organização. A ausência de Gandhi é considerada por muitos uma das maiores omissões da premiação.

 

7. Desconhecidos mas membros do comitê. De todas as premiações do Nobel, as que envolvem a categoria de Literatura sempre acabam gerando alguma polêmica. Foi o que aconteceu com Eyvind Johnson e Harry Martinson, que receberam o prêmio em 1974. Ambos escritores eram membros da Academia Sueca mas poucos conhecidos fora da Suécia. O Prêmio Nobel de Literatura é concedido para criadores de obras que alcançaram uma importância internacional, assim era evidente que os votos foram manipulados a favor dos membros do comitê, deixando em dúvida a credibilidade de outras premiações.

 

6. Prêmio entre homens. Jocelyn Bell Burnell é uma astrofísica britânica que em 1967 —  quando era uma estudante de pós-graduação — descobriu os pulsares (estrelas de nêutrons que transformam a energia rotacional em energia eletromagnética), sob a orientação de Antony Hewish. A descoberta foi tão importante para a ciência que Hewish e seu colega Martin Ryle foram contemplados com o Prêmio Nobel de Física de 1974. No entanto, o nome e os esforços de Burnell nunca foram citados pelos ganhadores. Outra mulher que foi ignorada pela premiação foi a microbiologista Esther Lederberg, que descobriu um método de transferir microrganismos de uma placa de Petri para outra utilizando a esponjinha de seu pó compacto. Lederberg criou esse método após descobrir, em parceria com seu marido, o médico Joshua Lederberg, um vírus que infecta as bactérias. Até hoje em laboratórios é utilizado uma técnica de transferência parecida com a que Esther inventou. Seu marido recebeu em 1958 o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pelas descobertas. Ao todo, as mulheres laureadas com o prêmio representam 5% dos ganhadores.

 

5. Música é literatura? Em 2016 o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura foi o cantor e compositor Bob Dylan pelas poesias contidas em suas músicas que revelam e discutem sobre os problemas sociais. Essa premiação foi uma grande polêmica, pois muitos críticos não concordavam com a ideia de um músico receber o mais alto prêmio da literatura. Dylan só reagiu ao anúncio do Nobel depois de duas semanas, além disso, ele não compareceu à cerimônia de entrega e só enviou um discurso de agradecimento, aumentando ainda mais a polêmica. Mesmo que para alguns a indicação tenha sido demonstrativo do declínio da importância do Nobel da Literatura, para outros, esse fato foi um passo para a valorização de uma arte poética até então esquecida. Vitor Ferreira, de 32 anos, acompanha a carreira de Bob Dylan há muitos anos: “Ele conseguiu com a música o alcance que muitos escritores não conseguiram com os livros. Like a Rolling Stone é de longe minha música preferida, já que é um clássico também. Tem tanta poesia naquelas linhas, as pessoas deviam parar para ouvi-la”. 

 

4. Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço. Cordell Hull foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz de 1945 pelos “seus serviços para estabelecer a paz no Hemisfério Ocidental e pelo estabelecimento da ONU”. No entanto, para os críticos Hull foi o responsável por influenciar os presidentes de Cuba, Federico Laredo Brú e o presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt a não conceder asilo a mais de 900 judeus que fugiam do nazismo da Alemanha em um navio. A embarcação acabou sendo mandada de volta à Europa, onde poucos que estavam a bordo sobreviveram nos campos de concentração.

 

3. Paz mascarada. Henry Kissinger, secretário de Estado norte-americano, e o político vietnamita Le Duc Tho foram indicados ao Prêmio Nobel da Paz em 1973 “por lograr um cessar-fogo na guerra do Vietnã”, porém, essa indicação desencadeou várias controvérsias. Kissinger era acusado de intensificar os bombardeios na Indochina, Laos e Cambodja e de ter sido supostamente mentor da Operação Condor, uma aliança entre os regimes militares da América do Sul. Por outro lado, Le Duc Tho comandou a operação militar em seu país, além de que, mesmo após a saída dos EUA do conflito, ele manteve políticas duras de terror. Vários protestos foram realizados em Oslo para que o secretário de Estado não recebesse o prêmio. Ao contrário de Kissinger,  Le Duc Tho recusou o prêmio.

 

2. Questões políticas? Barack Obama foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 2009 pelos seus “extraordinários esforços para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”, apenas nove meses depois de sua chegada à Casa Branca. Para os críticos isso não fazia sentido, pois o recém presidente ainda não tinha feito nada que ajudasse a estabelecer a paz assim como era declarado pelo comitê da premiação, levantando as hipóteses de certo interesse político por parte da academia, já que Obama tinha uma alta popularidade. Após seu governo — marcado por ações não condizentes com a paz entre povos — muitos pedidos são feitos até hoje nas redes sociais para retirarem o prêmio do ex-presidente.

 

1. Pai da Guerra Química. Fritz Haber foi um químico alemão laureado com o Prêmio Nobel de Física em 1918 por sua descoberta de como sintetizar a amônia. Sua descoberta é utilizada até hoje para a produção de agrotóxicos e para o aumento da produção de alimentos. No entanto, Haber, durante a Primeira Guerra Mundial, desenvolveu outras formas de usar sua criação, que foi nos campos de batalha como uma forma de destruição em massa. Em 1915, dois anos antes de ele ganhar o Nobel, o químico acompanhou o envio de cilindros de gás que foram utilizados para matar mais de mil soldados franceses e argelinos.

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