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12 Horas Para Sobreviver: um conceito mal-aproveitado
CINÉFILOS
03 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

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Protejam-se! James DeMonaco e Uma Noite de Crime (The Purge, 2013) voltam aos cinemas com o terceiro filme da franquia. 12 Horas Para Sobreviver: O Ano da Eleição (The Purge 3: Election Year, 2016) parte da mesma premissa de seus predecessores: uma vez por ano, durante doze horas, qualquer tipo de crime é permitido nos Estados Unidos – incluindo tortura e assassinato. Na distopia proposta pelo roteiro, o país vive um período muito próspero, de baixíssimo desemprego e criminalidade. Para compensar o rotineiro bem-estar social e libertar os cidadãos de um suposto ódio intrínseco ao ser-humano, a Noite de Crime foi instituída pelo governo.

No longa, a senadora e candidata à presidência Charlie Roan (Elizabeth Mitchell) prega o fim de tais atrocidades e promete acabar com a noite da impunidade caso seja eleita. Seus concorrentes, no entanto, farão de tudo para continuar a matança anual, e seguem o caminho da violência para resolver esse impasse: Charlie terá de ser morta durante a Noite de Crime. Simultaneamente, o espectador acompanha a saga de Joe Dixon, dono de uma humilde mercearia que perdeu a cobertura do seguro e precisa defender seu negócio com as próprias mãos do povo desvairado, ao lado do funcionário Marcos.

Apesar de fazer parte de uma trilogia, 12 Horas Para Sobreviver pode ser tranquilamente assistido por quem não está familiarizado com o trabalho de James DeMonaco. São poucas as referências às duas primeiras produções e, mesmo quando aparecem, não deixam espaços vazios para os novatos – apenas acrescentam à experiência de quem as entender. Os atores Frank Grillo e Edwin Hodge são os responsáveis por isso, relembrando situações já tratadas anteriormente.

DeMonaco cai nos mesmos erros do passado: situações clichês e de extrema conveniência são utilizadas quase sempre para dar seguimento ao enredo, tornando o filme previsível e praticamente isento de qualquer suspense. Cenas em que tudo pode dar errado para os protagonistas são contornadas por milagrosas aparições e eventos de muita sorte.

 

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Em 12 Horas Para Sobreviver não existe espaço para a racionalidade da população, somente para a pura e injustificada violência, captada muito bem pelo diretor. De facões a metralhadoras, passando por guilhotinas e correntes, a insanidade humana atinge níveis que ainda não tinham sido vistos na franquia – talvez a principal evolução em seus três capítulos. Ainda assim, a ótima ideia de explorar a natureza selvagem do homem não é aprofundada e segue na abordagem simplista dos primeiros filmes.

Em um suspense com tons de ação à la Michael Bay – explosões e luzes refletidas nas lentes -, DeMonaco mostra seu crescimento como diretor e cria o melhor elemento de sua sequência até agora, mas permanece falhando em extrair todo o potencial de um excelente conceito.

12 Horas Para Sobreviver: Ano da Eleição estreia dia 6 de outubro nos cinemas. Confira o trailer!

por Breno Deolindo
breno.deolindo.silva@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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