Home Lançamentos 13 Horas sofre com os clichês, mas é ímpar
13 Horas sofre com os clichês, mas é ímpar
CINÉFILOS
16 fev 2016 | Por Jornalismo Júnior

Em 2012, o cenário político da Líbia era caótico: após a queda do ditador Muamar Kadafi, o país mergulhou em uma confusa disputa pelo poder: no meio, militares, nacionalistas árabes, millícias e outros. É nesse cenário que se passa o filme 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi (13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi, 2016), dirigido por Michael Bay. O longa é baseado no livro homônimo do jornalista norte-americano Mitchell Zuckoff, que, depois de conversar com os seis principais soldados da história, relatou o que aconteceu na noite de 11 de setembro de 2012, na qual o embaixador norte-americano da Líbia, Christopher Stevens (interpretado por Matt Letscher), morreu depois de ataques terroristas ao consulado.

13 Horas (1)

O diplomata Christopher Stevens, que morreu intoxicado por gases de um incêncio causado por terroristas na Líbia

Se você gosta do estilo explosivo do diretor Michael Bay, que também comandou a franquia Transformers (Transformers 2007 – 2014) e o premiado Pearl Harbor (Pearl Harbor, 2001), o filme provavelmente não decepcionará. Fogo, tiros e explosões são elementos frequentes no decorrer das 2h24min de duração. À primeira vista, pode parecer só mais uma história sobre a coragem e dedicação dos soldados estadunidenses, com cenas emocionantes e comoventes intercaladas entre cenas de ação. De certo modo, é isso, mas não só.

13 Horas (2)

Os seis principais soldados faziam parte de uma base secreta da CIA na cidade líbia de Benghazi. Na noite do ataque ao consulado, eles foram impedidos pelo chefe do anexo a prestar socorro à base diplomática, que ficava perto de onde estavam. Segundo o chefe, interpretado por David Costabile, proteger o embaixador e sua minúscula equipe de segurança não era missão dos soldados da CIA. Deixar o lugar também comprometeria a segurança da base. Uma das partes mais interessantes do filmes é a desobediência dos seis, que se arriscaram para salvar a vida da equipe do consulado. Além disso, o longa mostra que, por diversas vezes, reforços foram requisitados. Ajuda aérea, tropas, ou qualquer coisa que pudessem oferecer. Tudo foi negado – inclusive pelos próprios Estados Unidos.

Como o livro, o filme também não é sobre “(…) o que as autoridades do governo dos Estados Unidos sabiam, disseram ou fizeram depois do ataque nem sobre a ininterrupta controvérsia em relação a pontos de discórdia (…) é sobre o que aconteceu na linha de frente, nas ruas e nos telhados de Benghazi (…)”, nas palavras de Zuckoff. O longa realmente é centrado nessa última parte – o drama do confronto em sim. Apesar disso, o que o autor e diretor escolheram não mostrar muito também daria uma baita história.

 

13 Horas (3)

O filme comete alguns pecados ao apelar para a emoção barata e fácil. Um soldado guarda a foto do filho na roupa, o outro grava um vídeo comovente antes de ir para a batalha, as videochamadas com as crianças pedindo para o pai voltar para casa.

Alguns momentos de tensão são quebrados por frases cômicas, que, apesar das circunstâncias, acabam sendo engraçadas (nesse quesito, destaque para Pablo Schreiber, que dá vida ao soldado Kris “Tanto” – ele protagoniza uma das melhores cenas com veia cômica já no fim do longa). Apesar de colocar os seis soldados como heróis, 13 Horas foge do convencional patriotismo norte-americano. O modelo é clássico, mas a história é diferente.

Confira o trailer!

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*