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40ª Mostra Internacional de SP: Eldorado XXI
CINÉFILOS
28 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

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Uma mancha cinza na neve dos Andes peruanos atrai milhares de pessoas para os assentamentos de La Rinconada e Cerro Lunar. Alguns poucos são motivados pela sede de poder, enquanto a maioria extrai da terra o ouro para sobreviver. O documentário Eldorado XXI (Portugal e França, 2016) trata a realidade contemporânea da prática econômica mais antiga do continente americano, sob direção da portuguesa Salomé Lamas, que participa da Competição Novos Diretores.

O filme é construído em duas frentes de durações semelhantes. A primeira é radiofônica. Há planos gerais da cordilheira andina que vão se fechando até o povoado, onde a câmera se infiltra numa mina e permanece por lá, gravando a escalada de mineradores em um ângulo mergulho. Imagens que servem para ambientar o espectador na rotina de trabalho dos assentamentos, mas que não instigam nem incomodam tanto quanto os áudios em off que as acompanham. Programas de rádio e confissões de moradores do local se revezam para contar os casos de corrupção política no Peru, as motivações que levam as pessoas até esses vilarejos (que são as cidades mais altas do mundo), o alcoolismo, a disputa entre homens e mulheres pelo minério, o feminicídio e a relação entre o povo e a Pachamama.

Na segunda metade, temos o documentário tradicional, com cenas que testemunham assuntos já introduzidos em off. As tradições religiosas, que por vezes incluem oferendas hediondas, e o consumo da folha de coca como analgésico contra o efeito do mercúrio são questões que roubam a cena pela naturalidade que são tratadas.

A cultura local chama muito mais atenção do que a crítica aos séculos de exploração da América Latina que o título e a sinopse insinuam. Embora retrate a articulação de cooperativas da região especialmente as comandadas por mulheres, o documentário se prende em pinçar relatos e não se aprofunda política estrutural que possibilita a reprodução dessa exploração de ouro e de homens.

por Larissa Lopes
larissaflopesjor@gmail.com

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