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40ª Mostra Internacional de SP: O Plano de Maggie
CINÉFILOS
22 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

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Maggie Harden é assumidamente uma mulher com pouquíssima fé no destino. Mesmo jovem, assume que não encontrará um parceiro que dure por mais de seis meses e resolve ter um filho sozinha. Afinal, para ela, esse não deveria ser um último recurso, mas uma escolha. Para ser seu doador de esperma, escolhe um antigo colega de classe, Guy Childers.

É durante esse período que conhece John Harding, um antropólogo atormentado tanto por sua esposa de forte temperamento, Georgette, quanto pelo romance que está começando a escrever. Esse mesmo livro servirá de pretexto para se aproximar de Maggie, negligenciando seu próprio casamento.

O longa O Plano de Maggie (Maggie’s Plan, 2016) traz com pouca sutileza, certa comicidade e muita sinceridade aspectos cruciais dos relacionamentos contemporâneos. Isso é perceptível já em uma das primeiras cenas, quando a protagonista questiona o melhor amigo, Tony, se ela seria uma dessas pessoas que não conseguem amar por muito tempo. O enredo trabalha em cima disso não como uma particularidade de certos indivíduos, mas como resultado da quebra de expectativa colocada na relação.

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Não há nenhum falso pudor de Maggie por John ser casado, aliás, ela se convence de que o está salvando de uma relação sugadora e fadada ao fracasso. É só depois da separação dele e da união dos dois que ela virá a conhecer Georgette, não como o monstro que ele relatara, mas como uma mulher poderosa e magnética, apesar do temperamento díficil e do egocentrismo. Diga-se de passagem, muito parecida com o próprio John.

Paralelo a isso, há todo o desenrolar da maternidade. Durante a tentativa da primeira inseminação, John toca a campainha e Maggie se atrapalha, o que a leva a acreditar que não conseguiu introduzir o sêmen com sucesso. Ele se declara pra ela, afirma que largará a esposa, que quer ser o pai do filho dela e a concepção ocorre naquela mesma noite. Nove meses depois, nasce Lilly, a única prova de amor duradouro.

Enquanto Maggie tem que conciliar seu trabalho, a filha e, inclusive, os enteados (filhos do antigo casamento dele), John passa o dia escrevendo ou conversando com a ex esposa. O encanto logo passa e Maggie, como uma boa controladora, não poderia meramente pedir o divórcio e seguir com sua vida: ela se sente na obrigação de reunir o casal que ela própria separara, certa de que Georgette é a única capaz de fazer John se preocupar com algo além de si mesmo.

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Juliane Moore na pele de Georgette rouba a cena. Mulher ambiciosa, bem-sucedida, que apesar de não ter a desenvoltura de Maggie como mãe, faz o que pode; ela é humana na mesma medida que lhe faltam umas sessões de terapia. Certamente, muito mais realista que a protagonista, um pouco sonsa demais. Há todo um trabalho de atuação e figurino para a construção dessas duas personalidades.

Provavelmente, o aspecto mais interessante é que apesar das trocas se centrarem em um homem, ele é totalmente relegado a segundo plano e o que se trava não é a característica disputa entre duas mulheres, mas a manipulação dos sentimentos volúveis dele conforme o interesse delas. Em certo ponto é um enredo que poderia servir de tese para a máxima de que não sabemos mais nos relacionar (amorosamente) saudavelmente.

por Aline Melo
alinemartimmelo@gmail.com

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