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41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: A Oeste do Rio Jordão
CINÉFILOS
26 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Desde o início da carreira, o israelense Amos Gitaï dedica quase todo o seu trabalho ao conflito entre Israel e Palestina. Com uma visão duramente crítica da política israelense, ele dirigiu dezenas de filmes ficcionais e documentários, abordando diferentes lados da contenda. Em 1983, chegou a mudar-se para a França após o longa Field Diary causar controvérsia em seu país.

Em seu novo do documentário, A Oeste do Rio Jordão (West of the Jordan River, 2017), o diretor vai até a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e mostra personagens desconhecidos para a maioria de nós espectadores ocidentais, acostumados a acompanhar o conflito com o maior distanciamento possível. Usando como uma espécie de prólogo uma entrevista feita com o ex-primeiro ministro Yitzhak Rabin em 1994, Gitaï fica lado a lado de vários palestinos e israelenses e pede que eles contem como enxergam a situação. Dessa forma, ouvimos tanto a versão da história por representantes do atual governo de Benjamin Netanyahu, por exemplo, quanto a de uma criança palestina cujo maior desejo é morrer como mártir pelo seu povo.

“Ouvir” talvez seja a palavra chave em A Oeste do Rio Jordão. Todo estruturado em entrevistas, o filme e menos sobre o conflito em si e mais sobre as narrativas que o sustentam, de ambos os lados. Por isso, cada personagem é importante para surtir esse efeito.
É uma pena, entretanto, que Gitaï não invista mais em ilustrar e contextualizar de alguma forma as situações narradas pelos entrevistados, tornando difícil para o espectador menos familiarizado enxergá-los com sensibilidade. Fosse uma tentativa de buscar certa imparcialidade, deixando os relatos falarem por si, seria até compreensível, mas fica claro que não é o caso uma vez que o próprio diretor aparece em cena diversas vezes, explicitando sua opinião.

Se uma parte dos relatos são a respeito de como o conflito se constrói, a outra é sobre as diferentes formas de resistir a ele, e é ela que torna o documentário mais interessante e também dá a ele um tom otimista. Aqui, conhecemos várias ONGs que combatem o sionismo, cada uma a sua maneira, como a B’Tselem, que ensina palestinas a usarem câmeras como armas para denunciar violações dos direitos humanos por parte do Estado de Israel; a The Parents Circle, rede de apoio entre mães e esposas que perderam familiares na guerra, independente de qual lado lutavam; ou a Breaking The Silence, em que soldados israelenses expõem o quanto o estado de constante hostilidade sob o qual vivem é prejudicial inclusive para eles. Mais uma vez, o que mais importa são as narrativas construídas.
No final, Amos Gitaï se posiciona novamente, mas dessa vez somente através das imagens. Numa cena alegre,vemos árabes e judeus juntos numa festa tradicional da região, cantando e dançando as mesmas músicas, comendo da mesma comida, unidos por uma cultura em comum: aqueles dois povos, que há mais de um século têm convivido como inimigos, são menos distintos do que pode parecer.

Por Matheus Souza
souzamatheusmss@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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