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41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: Uma verdade mais inconveniente
CINÉFILOS
23 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

O documentário Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth), de 2006, é do tipo de filme que costuma ser chamado de controverso. Enquanto seu recado quanto à urgência de problemas causados pelo homem ao meio ambiente é inquestionável, por outro lado, até hoje há quem diga que seu objetivo principal era a promoção política de Al Gore para uma possível nova candidatura à presidência. Goste-se ou não, o longa ganhou o Oscar de Melhor Documentário em 2007, e, no mesmo ano, Gore recebeu o prêmio Nobel da paz por seu ativismo ambiental.

Uma década depois, o ex-vice presidente dos Estados Unidos volta com um segundo filme. Dirigido por Bonni Cohen e Jon Shenk, Uma Verdade Mais Inconveniente (An Inconvenient Sequel: Truth to Power) traz uma atualização quanto às questões tratadas no longa anterior, e, nesse sentido, funciona muito bem. Nos anos recentes, muito mudou em relação ao que têm sido feito para proteger o ambiente ‒ o momento mais importante foi a realização da COP21, que resultou no Acordo de Paris ‒, e talvez por isso o tom predominante é otimista, ainda que não exite em mostrar vários desastres naturais, e, obviamente, deixar claro que o negacionismo de Donald Trump representa um retrocesso e precisa ser combatido.

Outra coisa que se destaca em relação ao filme de 2007 é a qualidade cinematográfica. Enquanto o filme anterior era quase inteiramente uma gravação da palestra de Al Gore sobre aquecimento global, dessa vez, há muito mais material a ser mostrado. A famosa apresentação de slides continua presente, mas além dela há também várias entrevistas e cenas externas, e a própria montagem das palestras parece ser feita para funcionar melhor na tela de cinema.

É uma pena que, tendo tudo para dar certo sem grandes ressalvas, o filme perca força por cair no mesmo erro de seu predecessor: a exaltação excessiva da figura de Al Gore. O “político em reabilitação”, como ele mesmo se define em certo momento, é retratado quase como um messias em sua segunda vinda, um super-herói que volta à frente de combate ao receber um novo chamado. De todas as ONG’s que promovem discussões sobre aquecimento global todos os dias, de todos os líderes de governo que que vêm tomando decisões benéficas para o meio ambiente, de todas as pessoas públicas e anônimas que militam pela causa, o roteiro escolhe personalizar nele as principais mudanças da última década no que diz respeito à política ambiental. A mensagem final é positiva, mas o discurso pretensioso que a envolve é completamente dispensável.

Veja o trailer:

por Matheus Souza
souzamatheusmss@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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