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41ª Mostra Internacional de Cinema de SP: Custódia
CINÉFILOS
31 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Custódia (Jusqu’à la garde, 2017) inicia-se direto e seco, acompanhando o desdobramento de um casal que tenta definir a partilha dos filhos, particularmente de Julien (Thomas Gioria) de 11 anos. Dirigido por Xavier Legrand, curiosamente, o filme continua a história desenvolvida em um curta-metragem do diretor, Just Before Losing Everything (Avant que de tout perdre, 2013), que retrata o relacionamento entre Miriam (Léa Drucker) e Antoine (Denis Ménochet) e seus conflitos, estendendo-se aos seus filhos e a tentativa de definir um novo rumo para a família.

Custódia

Imagem: reprodução

Para quem já assistiu o curta, a construção do filme se torna mais óbvia. Porém, talvez a omissão do primeiro favoreça a criação de um efeito completamente diferente em quem assiste. Porque é justamente a apreensão que permeia quase todo o longa uma de suas maiores marcas: a tensão não deixa de estar presente assim que cada fato está acontecendo.

O filme se mantém sóbrio e objetivo em quase todos seus momentos, fugindo da sentimentalidade extrema, muito menos claramente expressa. Essa falta é balanceada com uma prioridade a diálogos bem estruturados, assim como um jogo de câmera estático e com muitos enquadramentos em plano fechado, principalmente quando se trata da relação entre Julien e seu pai. Pouco persuasivo, a personagem da criança transmite muito mais com suas expressões do que com falas propriamente ditas. Julien é, com certeza, um dos líderes da sentimentalidade de Custódia, além da principal marca dessa característica no longa.

Custódia

Imagem: reprodução

A abordagem sobre um tema como o abuso doméstico tende a ser delicada, e a sutileza de Custódia parece favorecer na construção do efeito causado. Mesmo assim, essa sutileza não deixa de ser fortemente crítica e expressiva. Não é necessário muito tempo para perceber o clima de tensão que se instaura constantemente, e como as cenas de um pai possessivo e autoritário vão criando um tom de rigidez que não permite relaxamento ao espectador.

 

Justamente essa elaboração favorece que o final intenso seja relativamente previsível:, há indícios durante todo o longa do que está sendo desenvolvido. Não por isso a sua conclusão é menos intensa ou desprovida de impacto a quem assiste. A falta de música e sonoridade forte marcam quase todo o filme, que chega ao seu ápice na última cena, quando sua ausência se torna o ponto chave que imprime a tonalidade necessária para a melhor forma de concluir a trama. Mesmo quando presente, a maneira como a música é trabalhada acaba por favorecer o cenário de tensão, não sendo um aspecto de descontração.

Nesse sentido, o ponto de maior explosão sentimental é realmente nos momentos finais, em que parece haver uma certa coesão e fechamento para todo o clima de expectativa que se construiu no decorrer dos acontecimentos.

Custódia dialoga com um tema ainda estigmatizado e rechaçado, mas o faz de uma forma clara e incisiva, que parece ter a intenção de incomodar efetivamente os espectadores, não pelo uso de contextos muito apelativos, mas pela transmissão de um sentimento que permeia àqueles que estão situados em situações semelhantes: a constante indefinição e insegurança. Esse é o ponto a ser mais exaltado, a maneira como toda sua construção parece ser uma representação direta não pelo recurso visual apenas, mas pela atmosfera que se estabelece. Por isso, torna-se um trabalho extremamente necessário e pertinente para a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Trailer:

por Daniel Medina
danieltmedina@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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