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41ª Mostra Internacional de SP: A Telenovela Errante
CINÉFILOS
21 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Imagine um cenário em que realidade não existe mais e tudo o que você vê e experiencia vem de uma novela. Essa é a premissa de A Telenovela Errante (La Telenovela Errante, 2017), que retrata um Chile no qual as telenovelas servem como filtro social, escolhendo cuidadosamente o que falar quando o assunto é política e economia. O longa começou a ser filmado pelo diretor chileno Raúl Ruiz em 1990, mas só foi finalizado por sua esposa, Valeria Sarmiento, em 2017. A espera de 25 anos é justificada pelo falecimento de Raúl seis anos atrás, sendo A Telenovela Errante um trabalho postumamente lançado.

O longa é composto por sete sketches, separadas por sete “dias”. Cada uma delas vem de uma novela diferente mas como aspecto em comum todas apresentam metalinguagem (com os próprios atores falando e assistindo outras novelas), caráter satírico e traços surrealistas. De maneira geral, representam o momento político que o Chile estava vivendo, uma transição da ditadura para a democracia. O filme assume um formato de paródia o tempo todo, refletindo o olhar estranho e curioso que Ruiz tinha para essa nova sociedade chilena em formação.

A Telenovela Errante

Imagem: reprodução

As sketches tratam de adultério, violência, posicionamentos políticos e diversos outros temáticas. As três primeiras, com esses temas em debate, são as mais ligeiramente divertidas e possuem uma linguagem mais próxima das novelas que conhecemos. O diretor usa e abusa de diálogos dramáticos e exagerados – um tanto melosos, dignos de novelas mexicanas – e piadas sem noção, comuns às “comédias pastelão”. Muito do aspecto surrealista da história vem desse humor nonsense e, muitas vezes, bobo. Progressivamente, as sketches ficam mais surreais e difíceis de entender, com situações bizarras e absurdas. Parece que Ruiz foi se afastando do objetivo inicial, ou seja, a obra perde um pouco a atmosfera das soap operas e adentra-se no surrealismo. O espectador sai do cinema com uma impressão desconexa do todo e a sensação de não ter conseguido captar completamente o que o diretor pretendia transmitir.

Também por não conhecer a fundo a história política do Chile e as suas tradições de telenovelas, muito do entendimento do filme é perdido no meio do caminho. É uma obra, em geral, feita para sua época e para o seu país. Seu humor não é para qualquer um. Sua história não é para qualquer um. Seu surrealismo não é para qualquer um. Poucos irão se divertir o assistindo. Outros não vão achar graça alguma. Essa é a sétima arte. Se você quer conhecer um pouco mais do universo das novelas chilenas e arriscar-se com a obra de um diretor experimental, vá conferir A Telenovela Errante.

Antes, para descobrir mais um pouco, assista ao trailer:

por Giovanna Simonetti
g_simonetti@usp.br

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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