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41ª Mostra Internacional de SP: Belinda
CINÉFILOS
31 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

O longa Belinda (2017) é a prova de que, às vezes, uma das melhores produções de um festival não está nas listas de “imperdíveis”. O filme acompanha a personagem que dá título ao longa em diferentes fases da sua vida.

É um filme triste e que retrata a “dor”. Isso só é possível porque o longa em si desenvolve uma relação incrivelmente forte com a personagem principal. Em 90% do tempo, a câmera foca na Belinda e, conforme ela amadurece, o filme amadurece também. Essa relação desenvolvida é incrível: o mundo é visto “pelos olhos” da personagem. Quando ela é criança, por exemplo, os rostos dos adultos quase não são mostrados, apenas se ouve suas vozes. Isso acontece porque o importante nessa fase da vida não são as pessoas mais velhas, e sim as que possuem a mesma idade dela e se relacionam com ela a todo momento.

Belinda

Imagem: reprodução

Essa união da protagonista com a filmagem se estende para todas as cenas e, por isso, é automaticamente transmitido para o público. Cria-se um vínculo entre quem assiste ao filme e Belinda. Isso acontece de modo tão profundo que, conforme ela cresce, só pelo seu caminhar já se sabe que está completamente perdida no mundo.

A atuação da atriz principal é impecável. Mesmo sem expressões faciais exageradas e sem dizer nada, ela é capaz de transmitir mais sentimentos do que uma série de personagens escandalosos. Apenas pelo seu olhar é possível saber o que ela está pensando e sentindo. Isso fica muito claro em todas as cenas do filme. O ponto negativo é que, durante a transição entre as diferentes fases da vida de Belinda, o espectador pode ficar um pouco perdido, sem saber direito qual a idade que a personagem tem naquele momento, uma vez que transições são muito rápidas e poderiam ter sido melhor construídas.

Belinda

Imagem: reprodução

É preciso parabenizar a diretora Marie Dumora pela atenção dada à personagem principal. Belinda é provavelmente uma das mulheres mais complexas e bem construídas do cinema. Extremamente forte, ela é o tipo de personagem sobre a qual se tem muito para descobrir, mesmo depois dela ter sido mostrada durante quase duas horas para o espectador. Esse tipo de cuidado é fundamental para que uma empatia muito grande seja desenvolvida. Conforme se conhece a vida da personagem, mais sente-se pena dela e vontade de chorar com ela. É desesperador estar tão próximo e, ao mesmo tempo, não poder fazer nada.

Belinda é uma história sobre as circunstâncias da vida, sobre sofrimento e tristeza e causa muita vontade de chorar. Sua fotografia passa a impressão de que é um filme antigo, apesar de ter sido lançado em 2017: como se estivesse por cima das imagens o filtro que faz com que todas as cenas parecam ter sido gravadas durante o pôr-do-sol, e isso torna as cores mais vivas e transmite um ar “vintage”.

O mais interessante é como tudo neste longa se relaciona. A história encaixa perfeitamente nas falas que, por sua vez, se conectam com o cenário, o movimento da câmera (extremamente orgânico) e com a trilha sonora, a qual conversa muito com o enredo. Há também um gancho bem interessante (e bonito) que une o final do longa com o seu começo.

Belinda

Imagem: reprodução

Ainda, a produção consegue retratar de modo extremamente real um relacionamento abusivo. Belinda também é uma história sobre relações humanas e, principalmente, suas mediocridades, misérias e friezas. A protagonista vive uma relação problemática com um presidiário e é nítido para quem assiste que ela se apegou a isso porque ninguém nunca havia se apegado à ela. Não se sabe o que esperar deste relacionamento, não há brigas graves e escandalosas mas, também, não há carinho. E, mesmo que todas essas circunstâncias causem um desconforto no espectador, o filme segue sendo um romance. Belinda pode ser assistido na 41a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. 

por Mariangela Castro
mariangela.ctr@gmail.com

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