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41ª Mostra Internacional de SP: Gabriel e a Montanha
CINÉFILOS
26 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Em meados de 2009, o economista carioca Gabriel Buchmann, visitava a África como parte de uma viagem de um ano pelo mundo. Seu intuito no continente era estudar a pobreza e desigualdades sociais no local antes de ir para uma renomada universidade na Califórnia. A história, que é verdadeira, é o tema do filme brasileiro Gabriel e a Montanha (2017), dirigido por um amigo de infância de Buchmann, o cineasta Fellipe Gamarano Barbosa.

O longa reconta os últimos dias da viagem de Gabriel (João Pedro Zappa), durante sua passagem pelo continente africano. Com exceção da primeira cena – que retrata o desfecho da história – o filme segue um passo linear e é dividido em quatro capítulos, cada um correspondendo aos países visitados pelo protagonista durante o período: Quênia, Zâmbia, Tanzânia e Maláui. Em cada um deles, o filme faz um esforço para deixar claro o impacto que Gabriel causa nos habitantes locais. Esse fato ainda é corroborado por depoimentos dos nativos que conheceram o verdadeiro Buchmann, e podem ser ouvidos em cada capítulo.

O filme brasileiro inova ao fazer vários personagens importantes da trama serem interpretados pelas pessoas verdadeiras aos quais representam. Isto acontece, por exemplo, com Rashidi Athuman, um guia de safári que acompanhou Gabriel e sua namorada Cris na Zâmbia, e com John Goodluck, um montanhista que ajudou o protagonista a chegar ao topo do Monte Kilimanjaro. Além deste artifício ousado, muitas das cenas do longa se passam nos verdadeiros locais visitados por Buchmann em 2009, e por isso contribuem para uma experiência única: parece que estamos revivendo os passos do economista carioca.

O compromisso em retratar fielmente a realidade foi provavelmente a maior preocupação do diretor ao realizar o projeto. Para cumprir essa finalidade, tem-se um personagem principal longe da idealização típica de um herói, e Zappa realiza essa função perfeitamente. Ao mesmo tempo em que mostra um Gabriel sorridente, extrovertido, e que encanta a todos por onde quer que passe, o ator também consegue explicitar o lado teimoso, egoísta e egocêntrico de Buchmann, principalmente no que se refere a sua relação com Cris. O resultado é um protagonista que causa desde admiração até indignação nos espectadores.

A narrativa alinear em Gabriel e a Montanha também é um ponto que merece destaque. O fato de sabermos o desfecho da história desde o começo da narrativa leva a uma visão diferenciada dos fatos que ocorrem na viagem. A todo momento tentamos, inevitavelmente, relacionar os acontecimentos da tela com o desfecho e ficamos inquietos para tentar descobrir como tudo ocorreu. Dessa forma, a técnica contribui para uma experiência mais dinâmica, que prende a atenção de quem está assistindo.

O debate “homem x natureza” também é abordado em algumas partes do filme. Como Gabriel pretende visitar a África como um nativo, muitas vezes acaba se arriscando ao pensar que tem domínio sobre a natureza. É o caso, por exemplo, quando chega muito perto dos animais selvagens durante um safári na Zâmbia e quando decide terminar a subida em uma montanha sem o auxílio de um guia. Tal comportamento arrogante lembra algumas ações de Chris McCandless no longa Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007), filme que levanta a mesma questão.

O encerramento de Gabriel e a Montanha, no entanto, pode causar certa confusão. Não ficam claros os motivos que levam às ações do protagonista nas cenas finais do filme, deixando a impressão de que não havia mais tempo para se contar a história e que o longa deveria acabar o mais rapidamente possível. Não é estranho ter de ler sobre a real viagem de Buchmann após o filme para saber o que de fato aconteceu ao seu final.

Além de ser exibido na Mostra, Gabriel e a Montanha estreia dia 2 de novembro nos cinemas. Confira o trailer abaixo:

Por Bruno Menezes
brunomenezesbaraviera@gmail.com

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