Home Festivais 42ª Mostra Internacional de SP: Bayoneta
42ª Mostra Internacional de SP: Bayoneta
CINÉFILOS
31 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

(Imagem: Divulgação)

ATENÇÃO: A resenha a seguir contém spoilers. Clique no trecho borrado para revelá-los.

Com diálogos em inglês e espanhol, o filme Bayoneta (2018), de Kyzza Terrazas, conta com legendas nos dois idiomas, além da eletrônica em português. Isso, pode ser ruim para o espectador, que acaba tendo dificuldade em se prender ao que se passa, ainda mais por, de início, parecer ser uma típica história de boxeador com o ego machucado.

A primeira cena da obra ajuda a construir essa pré-concepção, na medida em que traz Miguel “Bayoneta” Galíndez (Luiz Gerardo Mendes), chorando copiosamente depois de uma luta. Na sequência, começamos a acompanhar sua vida anos depois desse momento. Sua rotina se baseia em ser instrutor de uma academia de boxe durante o dia, e bêbado durante à noite, com algumas exceções em que ele acrescenta à agenda uma ligação para a família que deixou para trás, e alucinações de um cervo andando no meio da cidade.

A medida que o filme ganha cadência podemos perceber a grave depressão que toma conta desse aposentado lutador. No auge de sua carreira ele morava em Tijuana no México, e depois do episódio apresentado na primeira cena, se mudou para a Finlândia deixando a esposa e a filha. Com isso ele queria se afastar de qualquer responsabilidade, já que ele mesmo sabia que não estava em condições de fazer muita coisa, e, ao mesmo tempo, se manter perto do esporte.

Assim, ele ajuda seu antigo treinador em uma academia comandada por um apostador não muito confiável. Várias vezes, Bayoneta se via sem salário, e viveu assim por mais de quatro anos até que a saudade o fez finalmente querer contato com sua antiga família. A obrigação de ajudar na criação de sua filha começa a lhe pesar sobre os ombros e o faz refletir sobre como ganhar dinheiro.

É desse jeito que o antigo lutador volta aos ringues. Treina fortemente para o seu retorno, no entanto, ao chegar lá descobre que a luta havia sido arranjada para que ele ganhasse. Revoltado com a atitude do dono da academia, ele se desclassifica propositalmente e vai embora para casa sem perspectiva nenhuma.

Bayoneta no ringue. (Imagem: Divulgação)

O que se segue então é o momento em que o ex lutador chega realmente no fundo do poço, bebendo em seu quarto lembrando de lutas antigas, da fama, até chegar mais uma vez na luta que aparece no início do filme e é só então que se descobre a verdade sobre o que aconteceu. Bayoneta não perdeu a luta em questão, ele ganhou depois de bater tanto em seu oponente que ele caiu e não conseguiu mais se levantar. A dor que ele sentia, toda sua depressão, era causada pelo sofrimento de ter matado um homem.

Depois de reviver tudo isso, é como se o boxeador aposentado finalmente tivesse se resolvido com o seu passado e a prova disso é a cena em que ele está em uma floresta e pela última vez encontra o cervo com o qual alucinava. Dessa vez o animal cai morto, como algo do qual o homem se liberta.

Confira abaixo o trailer original (em espanhol):

por Maria Laura López
laura_lopez.8@usp.br

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*