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42ª Mostra Internacional de SP: Na Estrada da Felicidade
CINÉFILOS
02 nov 2018 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

(Imagem: Divulgação)

Hsin-Yin Sung dirigiu em 2013 um curta intitulado Na Estrada da Felicidade (On Happiness Road), que acabou originando o longa homônimo de 2017 que fez parte da 42º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O filme começa de forma um tanto confusa, os primeiros minutos mostram cenas desconexas e sem conclusão. Logo notamos que se trata de um sonho, o qual ganha caráter ainda mais fantasioso graças aos efeitos que a forma de desenho animado do filme permite.

Quando a história começa realmente a ser contada somos apresentados à Chi, uma menina que resolveu tentar a vida nos Estados Unidos depois do fim de seus estudos em Taiwan, mas que se questiona constantemente sobre o ponto em que sua vida chegou. Uma ligação de sua família comunicando a morte de sua avó muda completamente sua rotina, fazendo com que ela tenha que voltar à estrada da felicidade, endereço da família em sua cidade natal, onde é obrigada a encarar suas memórias e seus antigos sonhos.

Assim, a obra vai intercalando entre cenas que narram a vida atual de Chi e sua infância naquela cidade. Passa pela desconstrução da imagem dos pais, mostrando quase que uma inversão de papéis quando a menina percebe que seus antigos heróis agora precisam de maior atenção e cuidado. O filme ainda fala sobre amizades de um jeito muito natural e delicado, mostrando que às vezes as pessoas seguem caminhos diferentes que podem levar a um reencontro no futuro ou não, mas que essas despedidas fazem parte da vida.

(Imagem: Ablaze Image Ltd.)

A principal questão trabalhada pelo longa é a relação entre o que é nativo, cultural e o que vem de fora. Isso é colocado em vários momentos diferentes, como quando a avó que mora no interior vai visitar a família na cidade e seus costumes acabam sendo julgados selvagens de mais. Diante da situação, Chi começa a fantasiar e ter pesadelos onde a progenitora de sua mãe é um monstro, o engraçado disso é que os sonhos ruins só param de acontecer quando a avó faz um pequeno ritual, comum na parte rural do país, para acabar com eles.

Enquanto a questão do que é estrangeiro aparece, por exemplo, no desenho assistido pela menina quando pequena, em sua amizade mais próxima ser com a criança que veio de outro país, e até o chocolate que ela gosta tem a marca de outro lugar. Crescendo influenciada por tudo isso, seu maior sonho é sair do lugar onde vive e conquistar o mundo, mais especificamente, os Estados Unidos.

Assim ela cresce, estuda, viaja para o país que tanto almejava, consegue um emprego, se casa, e mesmo assim não se sente completamente feliz. A morte da avó, que era um dos poucos símbolos de pertencimento da garota, junto a uma crise no casamento e uma desilusão com o trabalho, fazem com que Chi pare para se questionar sobre quem é e o que realmente quer.

O nome do filme, por fim, acaba combinando muito bem com ele, mostrando que o sonho americano da menina lhe custou anos de algo que ela nem sabia que lhe faltava. A estrada da felicidade sempre a levou de volta para casa.

Confira o trailer:

por Maria Laura Lopez
laura_lopez.8@usp.br

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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