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42ª Mostra Internacional de SP: O Grande Circo Místico
CINÉFILOS
31 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Beatriz compõe a primeira geração do Grande Circo Místico. (Imagem: Reprodução)

Dirigido por Cacá Diegues, O Grande Circo Místico (2018) traz uma produção que conta com expressivo número de atores, entre eles, nomes de peso como Mariana Ximenes, Jesuíta Barbosa e Juliano Cazarré. Conta também com um cenário diverso, que além de outras surpresas, traz a presença de elefantes e leões para o espetáculo.

O longa conta a história das gerações que cuidam de um circo, desde a primeira delas, responsável pela criação do local e da família que haverá de se prolongar, passando pelas outras quatro, até mostrar como “termina” a trajetória do local. Ao apresentar a primeira geração do circo, formada por Beatriz (Bruna Linzmeyer) e Fred (Rafael Lozano), o filme traz um ponto questionável: a demasiada exploração do corpo feminino. Cenas de sexo e nudez são comuns nos filmes nacionais, porém, o que ocorre neste é uma exacerbação que beira à violência, tanto que a última geração da família responsável pelo circo será fruto de um estupro.    

Outro ponto a ser levantado é a falta de destrinchamento das personagens. Todas possuem tempo de vida muito curto, literalmente, e isso contribui para que o espectador não crie nenhuma identificação ou relação de admiração e afeto por elas. Talvez, o personagem que mais se aproxima de transmitir esses sentimentos seja Celaví (Jesuíta Barbosa), por conta de suas piadas e metáforas.

Mesmo assim, sua existência é um ponto de interrogação. Ele está presente desde antes da criação do circo e, diferentemente das outras personagens, vive e aparece durante toda a trama. Disso, conclui-se que uma pessoa comum ele não poderia ser, já que atravessa cinco gerações. Mas então o que seria Celaví? Um pensamento? Um amigo imaginário dos artistas circenses? O próprio circo personificado? Se a intenção do diretor era deixar essa explicação ser feita pela própria imaginação do espectador, deu certo, porque o filme não esclarece este ponto.

O imortal, enigmático, Celaví. (Imagem: Reprodução)

Há também uma certa confusão com relação à fantasia que pretende-se emanar através das cenas. Por vezes, o que ocorre é comum demais, sem magia. Em outros momentos, porém, há uma explosão de mágica: borboletas de cor fluorescente, garotas flutuando nuas. Essa troca de realidades, por ser muito repentina, acaba por causar certo desconforto, pois não é possível distinguir o real do fantástico. Mais uma vez, se essa junção de dois mundos era a intenção de Cacá Diegues, o objetivo foi alcançado.

Mesmo assim, O Grande Circo Místico (2018) traz muitos pontos positivos, como a trilha sonora, composta por músicas que trazem magia e envolvimento, como Ciranda da Bailarina. Também, é elogiável por unir muitas expressões artísticas. Não é só filme, é circo, é música, é dança, é arte.

Confira o trailer oficial:

por Crisley Santana
crisley.ss@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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