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42ª Mostra Internacional de SP: Poderia Me Perdoar?
CINÉFILOS
24 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

(Foto: Reprodução)

Sua vida está uma bagunça. Ela não tem amigos nem um relacionamento. Sua melhor é amiga é sua gata, Jersey. Ela acaba de ser demitida e sua editora não poderia se importar menos com suas perspectivas literárias. Essa é a história de Lee Israel (Melissa McCarthy), aclamada biografista que acaba se tornando uma falsificadora de cartas.

Baseado em fatos reais, Poderia Me Perdoar? (Can You Ever Forgive Me?, 2019) retrata a decadência de uma escritora que acaba caindo no ostracismo e, eventualmente, recorre a atividades criminosas para poder sobreviver, vendendo cartas  de escritores famosos a colecionadores. Desde a primeira cena, Lee é retratada como uma mulher sem papas na língua, que aparenta não se importar com o modo como o mundo a vê e que, acima de tudo, está angustiada. A atuação de McCarthy é fenomenal, considerando que a atriz é geralmente atrelada a personagens cômicas e alto astral.

(Foto: Reprodução)

Alcoólatra, Lee consegue fazer amizade com um também problemático artista, Jack Hock (Richard Grant). Tendo como principal programação ficarem bêbados em bares, os dois constroem uma relação firme, que, posteriormente, se transforma em algo profissional. As atividades criminosas de Lee começam a suscitar suspeitas, fazendo com que Jack se torne seu disfarce e passe a ser seu contato com os colecionadores.

Um dos aspectos mais interessantes da trama é que a própria Lee é responsável por escrever o conteúdo das cartas, falsificando apenas a assinatura e o aspecto desgastado do papel. Apesar de tudo, Israel era uma boa escritora, com problemas emocionais que atrapalhavam sua criatividade. O longa é enfático ao mostrar essa instabilidade da vida da protagonista ‒ o aspecto bagunçado do apartamento talvez seja a maior expressão de seu estado psicológico.

(Foto: Reprodução)

Uma característica da personagem pouco explorada é sua orientação sexual. Apesar do espectador conhecer brevemente os relacionamentos de Lee, o tema é pouco abordado, mesmo nas conversas com Jack, que é homossexual. Certamente, a fobia social e a falta de traquejo social da protagonista são bem explícitas. É possível que esse seja o motivo pelo qual sua vida amorosa recebe pouco tempo de tela, principalmente levando em consideração as condições de vida de Israel.

Vivendo sob pressão para arranjar dinheiro e manter seu vício em álcool, a biografista adquire uma certa obsessão pela falsificação. As máquinas de escrever específicas para cada autor expressam essa obsessão, que pode ser, na verdade, um reflexo da necessidade. De um certo modo, o bloqueio criativo de Lee é quebrado com essa prática de se passar por outro escritor.

(Foto: Reprodução)

Poderia Me Perdoar? é um filme sensível ao mostrar a decadência de uma escritora que um dia fora tão aclamada. O carisma inegável de Melissa McCarthy faz com que o espectador se apegue a história de Lee e compartilhe sua tensão, na medida que as investigações acontecem.

A biografista chegou a escrever um livro com o mesmo nome em 2008, no qual relata suas atividades e a de Jack. A obra foi, inclusive, inspiração para a produção audiovisual, que tem estreia prevista para fevereiro de 2019. No entanto, a 42ª Mostra Internacional de São Paulo, em parceria com a FOX, exibirá sessões comerciais do filme durante o mês de outubro.

Confira o trailer (em inglês):

por Maria Eduarda Nogueira
mariaeduardanogueira@usp.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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