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42ª Mostra Internacional de SP: Vitória
CINÉFILOS
28 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Francisca e Martins levando Vitória para a escola. (Imagem: Reprodução)

Vitória (2018) não é sobre Vitória, é sobre Francisca. Mas é sobre Vitória também. E sobre o MST. E é principalmente sobre o povo sem terra, que resiste e que luta para poder trabalhar sem precisar compartilhar o fruto da lida com o patrão “que não derrama uma gota de suor”, como diz Francisca, a mulher que apesar de franzina, sempre de boné, com aparente idade avançada, é muito forte.

O documentário é fruto das gravações que, juntas, compõe um período de 12 anos. Alberto Bellezia, diretor do longa, foi convidado para gravar a Grande Marcha Nacional pela Reforma Agrária, realizada pelo Movimento dos Sem Terra (MST) em 2005. Lá acompanhou Francisca, não só na marcha, como também depois dela. Conheceu sua trajetória, sua família, seu acampamento, sua vida. Enquanto isso, Vitória estava na barriga da mãe.

O longa é dividido em capítulos, desde a Marcha até o momento em que Vitória já é uma menina crescida, e isso serve para dar expectativas a quem está assistindo. Espera-se que Francisca alcance seu objetivo: conseguir um pedaço de terra da fazenda Urtiga, na Paraíba, estado de origem da personagem.

Mais do que isso, espera-se que todos os personagens sejam assentados, pois cria-se um sentimento de empatia para com aqueles que participam do movimento, especialmente por Francisca, porque representa os nordestinos, a luta, a resistência, o sentimento de injustiça que lá no fundo, todos brasileiros possuem.

Apesar de não se aprofundar no teor político, econômico e social que o tema apresenta, o documentário cumpre uma função jornalística, pois apresenta o MST com viés ideológico diferente do que é feito pela mídia tradicional que sempre taxa os militantes de vagabundos. No longa, o movimento é apresentado como um órgão de união, no qual aqueles que participam possuem verdadeiros irmãos de luta.

A vida de Francisca é utilizada para demonstrar toda essa narrativa. Já Vitória é o fio que conduz, pois desde a gestação até seu crescimento, viu a família engajada pela causa de poder viver na terra que viram seus pais trabalhando e que sempre trabalharam.

Vitória (2018) é o querer chegar ao objetivo, é a resistência. E também é a reviravolta, a mudança de planos.

Por Crisley Santana
crisley.ss@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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