Home Lançamentos 43ª Mostra Internacional de SP: Chuvas Suaves Virão
43ª Mostra Internacional de SP: Chuvas Suaves Virão

Chuvas Suaves Virão aborda um dos maiores sonhos infantis

CINÉFILOS
16 out 2019 | Por Por Isabel Teles (isabel.teles@usp.br)

Este filme faz parte da 43ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique na tag no final do texto. 

“Estou há dias sem dormir porque tenho medo de não acordar, como os adultos”. A frase que aparece em uma conversa entre duas meninas diante de uma fogueira é é capaz de resumir o longa argentino Chuvas Suaves Virão (Vendrán Lluvias Suaves, 2018), de Iván Fund. 

Na primeira noite em que Alma (Alma Bozzo Kloster) dorme fora de casa, a cidade sofre um apagão. Ao acordar antes de todos, depois da festa do pijama, ela percebe que algo está errado. A casa está uma bagunça e os adultos não se levantam, estão acometidos por um sono profundo. O grupo de cinco crianças, que aparenta não ter mais do que dez anos, aproveita o primeiro dia de liberdade se divertindo e comendo doces. 

Quando a situação se prolonga, percebem que precisam se virar sozinhos até que tudo volte ao normal, o que inclui tomar banho, encontrar comida, tratar machucados e cuidar das crianças menores. Diante disso, Alma decide deixar a casa dos amigos para procurar seu irmãozinho, que provavelmente se encontra na mesma situação. A ideia faz sentido, mas ela não conhece o caminho para sua casa. Assim, o grupo, seguido pela cadela Marga, vaga pela cidade em busca da casa de Alma. 

Enquanto as crianças tentam encontrar a casa de Alma, é possível perceber que a cidade está deserta e que há outras crianças sozinhas, brincando em grupos em parquinhos ou sozinhas, esperando que algo aconteça. O tempo transcorrido no filme é incerto, apesar de haver uma sucessão de cenas noturnas e diurnas. 

É sonho de toda criança, não ter adultos para obedecer e poder fazer o que quiser e quando quiser, sem ter hora para voltar para casa, acordar, dormir ou sorvete, mas quando essa situação se torna permanente, as crianças precisam amadurecer. 

Alma e seus amigos vagam por dias pela cidade deserta [Foto: Divulgacão]

A boa direção do elenco infantil contribui para tornar o filme, que poderia pender para o cinema infantil, uma obra universal, sobre a vida, amizades e responsabilidades. Elementos da infância são resgatados de forma direta, porém sutil, como a interação com animais, que permeia todo o longa. Eles são os únicos, além das crianças, que não estão adormecidos.

Chuvas Suaves Virão é simples como um contos de fadas. A obra faz inúmeras referências a este tipo de narrativa, seja na divisão em capítulos, marcada por páginas de livros com ilustrações, seja nos acontecimentos mágicos que pontuam a trama sem a necessidade de maiores explicações. 

Assim, Fund conquista o público, em um longa que não tem pretensões, a não ser falar da infância sem afetações, algo difícil que poderia culminar em uma obra rasa. O objetivo foi alcançado com sucesso e rendeu ao longa, que, por ser discreto, poderia passar despercebido, três indicações e um prêmio em festivais internacionais. 

O filme é exibido durante a 43a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Confira o trailer:

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*