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43ª Mostra Internacional de SP: Afterlife
CINÉFILOS
11 out 2019 | Por André Derviche (andrederviche@usp.br)

Este filme faz parte da 43ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique na tag no final do texo. 

Lidar com a morte pode ser uma das tarefas mais difíceis pelas quais uma pessoa pode passar na vida. Ainda assim, são várias as maneiras de enfrentá-la. Na produção holandesa Afterlife (Hiernamaals, 2019), o público pode conferir uma interessante e autêntica aventura através das diferentes faces desse período da vida.

Na trama, a jovem Sam (Sanaa Giwa) morre em um acidente. Na vida após a morte, a garota encontra sua mãe e entra em uma jornada para trazer as duas de volta.

A olhares externos, a premissa do longa pode dar a impressão de uma abordagem mais lúdica da morte. Em partes, esse é um pré-julgamento que se concretiza. Para o espectador do grande circuito, há aqui uma trama bastante inventiva que combina elementos da viagem no tempo com um drama familiar. Na grande maioria das vezes, essa é uma alternância de tom que funciona. Há uma narrativa que consegue intrigar e emocionar.

Sam enfrentará a morte da mãe junto a seu pai (Gijs Scholten van Aschat) [Imagem: Reprodução]

Também contribuem para isso as performances, as quais se tornam um verdadeiro pilar para que Afterlife toque o coração de quem o assiste. Destaques especiais para Romana Vrede e Sanaa Giwa como mãe e filha, respectivamente. Os momentos emocionalmente intensos muitas vezes tem suas causas atreladas ao trabalho das duas. É uma relação verdadeira e identificável. A ponte entre um caráter mais profundo e maduro com o lado mais descontraído também passa muito pela maneira pela qual os personagens são usados no enredo.

A jovem Sam deve lidar com os desafios da vida [Imagem: Reprodução]

Por outro lado, no rolar dos créditos, fica uma leve sensação de que a história a ser contada se estende mais do que o necessário. Se em um momento o espectador é presenteado com uma chuva de boas e originais ideias no começo e uma conclusão honesta no final, ele também se vê um tanto quanto marginalizado no meio da obra. O espaço entre início e fim acaba por só funcionar quando o público capta as mensagens do subtexto do longa. 

Em termos técnicos, a obra mais uma vez se sai bem. Uma trilha sonora que explora as nuances contrastantes do roteiro combinada a uma paleta de cores vívida garantem o lado mais artístico do longa. A ideia de vida após a morte dá as caras de maneira inovadora e mantém o público preso àquela narrativa.

Afterlife é um retrato original das diferentes formas de lidar com a morte. Com uma boa premissa e um arco de personagens interessante, o longa peca no desenvolvimento da história como um todo, mas garante um refresco de singularidade ao público. Confira o trailer abaixo:

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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