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44ª Mostra Internacional de SP: ‘Animais Nus’
CINÉFILOS
13 nov 2020 | Por Mara Mendes de Matos (mara.mmatos@usp.br)

Esse filme faz parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique na tag no final do texto.

Cinco amigos estão no último ano da escola e ainda em processo de descoberta do que farão dali em diante. Aos trancos e barrancos, Katja (Marie Tragousti) levava toda sua vida. Junto de Sascha (Sammy Scheuritzel), Benni (Michelangelo Fortuzzi), Laila (Luna Schaller) e Schöller (Paul Michael Stiehler), ela vive em Brandemburgo, uma pequena cidade alemã, e dá vida ao longa Animais Nus (Nackte Tiere, 2020). 

De cara o filme surpreende com um recorte quadrado, pouco utilizado na cinematografia, atualmente. O efeito conquistado é uma aproximação dos personagens, que estão sempre em primeiro plano, dando ênfase ao tema que é a vida deles. Todo o resto do mundo é deixado de lado para que o mergulho no subjetivo dos jovens possa acontecer, sem exalar juízos quanto a isso. Esse olhar direcionado chega a ser sufocante e confuso em alguns momentos, assim como as emoções dos jovens também são.

Todos estão sempre muito próximos fisicamente desfrutando das descobertas juvenis. Mas, ainda que haja bastante intimidade entre o grupo, também nota-se muita distância. Cada um vive sua própria luta e não conversa sobre suas dores, não abre espaço para ajuda. Katja, em especial, fecha-se e esforça-se bastante para tentar resolver os problemas dos outros, se dedicando pouco tempo aos seus próprios projetos.  

 

Sascha, Katja, Benni e Scholer, de Animais Nus, sentados assistindo a um filme. [Imagem: Divulgação/Czar Film] 

Sascha, Katja, Benni e Scholer. [Imagem: Divulgação/Czar Film]

A violência é um elemento que também aparece desde o início do filme, seja nas artes marciais ou no resto do cotidiano. A relação de Laila com a mãe, a tendência à autodestruição de Benni e a amizade entre Katja e Sascha evidenciam ainda mais esse fator. A princípio, é difícil de entender, como todas as relações no filme. Mas, aos poucos, peças vão sendo entregues para se chegar a compreensão dos cinco personagens. Ou, pelo menos, tentar. 

Entre Katja e Sascha a violência marca o amor. As lutas são sua forma mais recorrente de interação, como é o caso de uma cena inicial chocante em que um esbarrão no corredor resulta em uma laceração na testa. De perto, o espectador acompanha o desenrolar desse relacionamento, as confissões e como os dois descobrem-se no que diz respeito ao amor romântico. 

 

Katja e Sascha "lutando", mas também com uma tensão sexual. [Imagem: Divulgação/Czar Film]

Katja e Sascha. [Imagem: Divulgação/Czar Film]

Ao longo do filme, nota-se também a ausência de um elemento determinante: a família dos jovens. Em muitos momentos, a pergunta que fica é “onde estão os pais dessas crianças?”. Enquanto primeira entre as instituições sociais, a família é inegavelmente importante para o desenvolvimento dos indivíduos e, principalmente, de suas habilidades emocionais. As poucas apresentadas são bastante problemáticas e, ainda mais na adolescência, seriam essenciais como suporte para as mudanças. 

Animais Nus é uma produção bem íntima sobre os dilemas juvenis e tenta mostrar todos os desafios reais dessa fase da vida, sem romantiza-los. O filme se destaca entre os longas sobre jovens e amadurecimento da Competição Novos Diretores da Mostra. A diretora, Melanie Waelde, fez um bom trabalho. 

Assista ao trailer:

 

*Imagem de capa: Divulgação/Czar Film

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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