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44ª Mostra Internacional de SP: ‘Coronation’
CINÉFILOS
30 out 2020 | Por Beatriz Carneiro (beatri@usp.br) 

Esse filme faz parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique na tag no final do texto.

“Assim que acabar a pandemia”. Quantos de nós já não escutamos essa frase após a explosão da Covid-19? O documentário Coronation (2020), do artista e ativista chinês Ai Weiwei, registra, ao longo de sua uma hora e 55 minutos de duração, o primeiro epicentro da doença: a cidade de Wuhan, província chinesa.   

As pessoas, dominadas pelo senso comum e pela xenofobia, que acusam a população chinesa de forma generalizada pela pandemia já tomaram ciência de que eles, assim como qualquer brasileiro, também sofreram e estão sofrendo as consequências? Essa é uma das primeiras reflexões e lições do longa.   

 

Cena de Coronation: um agente de saúde sendo desinfectado. [Imagem: Divulgação/Ai Weiwei Films]

Cena de Coronation: um agente de saúde sendo desinfectado. [Imagem: Divulgação/Ai Weiwei Films]

Ambientado totalmente no país mais populoso do mundo, a China, a produção audiovisual traz cronologicamente o lockdown em Wuhan e em outras cidades da província de Hubei como medida governamental de contenção do vírus. De forma simples, em 23 de janeiro, Coronation inicia com um casal tentando voltar para casa no subúrbio de Wuhan em meio a uma noite de muita neve e ruas vazias. 

A sequência da obra registra criticamente a rotina de equipes médicas que precisam seguir ao “pé da letra” os protocolos de segurança dentro dos centros médicos. Diagnósticos, equipamentos de testagem e monitoramento por câmeras podem ser analisados, por quem assiste, como pontos fortes do país frente a contenção da doença. O telespectador também poderá ver, com imagens ricas em detalhes, a construção de hospitais no país que ganharam os holofotes da mídia devido ao pouco espaço de tempo em que foram construídos. 

Denúncia no filme é o que não falta: o diretor do documentário mostra, por meio de relatos das pessoas, o quanto a população está sujeita à repressão e a imposição do Partido Comunista da China, que controla e censura imagens e gravações que remetam a atitudes negativas do governo nesse momento.

 

Cena de Coronation:  Meng Liang, um trabalhador da construção civil de emergência, é impedido de regressar à sua cidade natal devido ao lockdown em Wuhan. [Imagem: Divulgação/Ai Weiwei Films]

Cena de Coronation:  Meng Liang, um trabalhador da construção civil de emergência, é impedido de regressar à sua cidade natal devido ao lockdown em Wuhan. [Imagem: Divulgação/Ai Weiwei Films]

Fechamentos das cidades; autorização de viagens; operários voluntários que não conseguem voltar para as suas cidades de origem; coletagem de dados por parte dos órgãos governamentais e a burocracia da morte são apenas uma parte de tudo que o documentário traz acerca do sofrimento da população chinesa.  

 

Cena de Coronation: estação de trem de Wuhan durante o lockdown. [Imagem: Divulgação/ Ai Weiwei Films]

Cena de Coronation: estação de trem de Wuhan durante o lockdown. [Imagem: Divulgação/ Ai Weiwei Films]

Sem sombra de dúvidas, a ambientação e a fotografia do documentário são um dos pontos mais cruciais para o sucesso da produção. Pela tela, ele transporta o espectador diretamente para a China, mostrando e humanizando toda situação pandêmica do país. 

Entretanto, o espectador também terá que lidar com a monotonia de alguns momentos  da obra, mas isso não chega nem perto de toda riqueza de imagens de Coronation. Isso o torna uma boa pedida para quem quer entender como o Governo e os cidadãos chineses lidaram e estão lidando com o impacto da Covid-19.

Confira o trailer

 

*Imagem de capa: Divulgação/ Ai Weiwei Films

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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