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44ª Mostra Internacional de SP: ‘Entre Mortes’
CINÉFILOS
05 nov 2020 | Por Maria Luísa Bassan (marialuisaobassan@gmail.com)

Esse filme faz parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique na tag no final do texto.

O Amor e a Morte são temas complexos que permeiam dúvidas e angústias humanas. Ainda que universais, eles atingem cada pessoa de forma individual, e a arte se dispõe como um caminho para compartilhá-los e tentar entendê-los. Essa é a construção e o enredo de Entre Mortes (Sepelenmis Ölümler Arasinda, 2020).

Davud (Orxan İskəndərli) é um homem que perdeu o pai e vive com a mãe doente (Məryəm Nağıyeva). Ele se mostra atormentado e perdido no lugar onde vive, então decide partir sem explicações. O que se inicia, então, é uma caminhada em busca do Amor e do sentido de sua trajetória.

O longa traz uma jornada de vida no espaço de um dia. Davud, ao sair de casa, encontra pessoas e passa por situações que o fazem refletir sobre o mundo que o cerca. Mulheres desconhecidas cruzam por seu caminho e acabam por transformá-lo ao mostrarem faces do Amor e da Morte – muitas vezes interligadas. O que realmente significa morrer por amor? Muitas vezes pensamos apenas na força do Amor romântico, mas Entre Mortes extrapola esse entendimento ao apresentá-lo como algo muito maior, universal e intrínseco ao ser humano.

Em um desses encontros com a Morte, três homens passam a perseguir Davud. Um deles, ao ver a sucessão de eventos que acompanham o jovem, aponta: “Ele é um homem muito estranho. Ao matar uma pessoa, ele salva outra”. Essa dualidade entre vida e morte acompanha toda a jornada de Davud, e permeia suas reflexões pessoais.

O protagonista Davud parte para uma jornada transformadora sobre Amor e Morte [Imagem: Reprodução/Ucqar Film]

A construção dos pensamentos de Davud é apresentada através de flashes dele com uma mulher (Rəna Əsgərova) e seu filho. Não se tem uma demarcação do real – podem ser lembranças ou desejos de Davud –, e juntamente com os diálogos entre eles, o espectador mergulha nos sentimentos do protagonista. A jornada não é só física, mas também interna.

O diretor Hilal Baydarov traz sensibilidade à tela com cenas longas, marcadas pela trilha, tons frios e pela interação entre os personagens. A sensação de sonho contribui para a apresentação da jornada pessoal de Davud, que transforma o seu interior e convida o espectador a olhar para sua própria caminhada.

Entre Mortes é uma reflexão sobre as diversas faces do Amor, e assim como temos a certeza de que vamos morrer um dia, também sabemos que amar é a melhor maneira de aproveitarmos nosso tempo em vida.

Assista ao trailer:

*Capa: [Imagem: Reprodução/Ucqar Film]

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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