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44ª Mostra Internacional de SP: ‘Lua Vermelha’
CINÉFILOS
20 out 2020 | Por Edson Junior (edsonjuniormcz@usp.br)

Esse filme faz parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique na tag no final do texto. 

Misturando mitologias de monstros e forças da natureza, Lua Vermelha (Lúa Vermella, 2020) ambienta seu terror numa pequena vila da Espanha. De um experimentalismo arriscado, o longa se desenvolve por meio do som e das imagens, estas que até parecem pinturas devido aos belos enquadramentos do diretor Lois Patiño. E isso se repete em grande parte das cenas: uma sobreposição de imagens estáticas mais contemplativas que narrativas, com sons ou vozes em off ao fundo.

Uma vila amaldiçoada por uma besta, deixando os moradores paralisados como estátuas, e um herói – Rubio – que sumiu no mar em busca do monstro são as premissas do filme. De uma lentidão exaustiva, o ritmo é tão estático quanto as pessoas do local. Parece que o tempo parou lá, apenas se ouve as vozes dos moradores, o que por si só já configura um elemento perturbador, sendo o recurso mais eficiente empregado para desenvolver o terror.

Sem personagens desenvolvidos, o protagonista é o ambiente e o que se passa nele. Além das residências da vila, também há um pano de fundo sobre a natureza e como ela é afetada por uma represa construída ao redor do local. Com muitas linhas narrativas mal desenvolvidas, o meio ambiente é, certamente, uma das únicas questões que o longa debate com clareza, ainda que nas entrelinhas: grandes construções ambientais que favorecem o meio urbano, muitas vezes, são prejudiciais a pequenas comunidades.

Um dos cenários da vila amaldiçoada [Imagem: Reprodução/Zeitun Films]

Os elementos de terror de bruxas e monstros se mesclam à uma estética surrealista que até faz pensar se o que acontece ali é sonho ou realidade. Mas, na verdade, todas as histórias de horror se dão mais no campo do que é contado pelos residentes do que no que é realmente mostrado.

O que mais se vê são contrastes: entre ambientes claustrofóbicos das velhas casas da vila e a natureza com seu verde vivo, entre o marrom de terras de rios secos e o mar azul, entre a lua vermelha de sangue e o branco do manto das bruxas, e assim é repetido exaustivamente.

Claramente, a proposta de Lua Vermelha é ser experimental e, talvez, sua lentidão e excessiva preocupação com estética estejam ligados ao desconforto esperado para o espectador, tão acostumado com um cinema atual recheado de ação. Pode-se muito discutir o que o longa quis trazer nos subtextos, pois no plano principal pouco funciona.

É uma ode de Lois Patiño à imagem, ao som, à pintura, à mitologia e, principalmente, aos sentidos. Para alguns pode funcionar, mas, no geral, pede-se que a gente sinta até demais.

Confira o trailer:

*Capa: [Reprodução/Zeitun Films]

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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