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44ª Mostra Internacional de SP: ‘Suor’
CINÉFILOS
15 out 2020 | Por Edson Júnior (edsonjuniormcz@usp.br)

Esse filme faz parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique na tag no final do texto. 

 

Logo em seus primeiros minutos, Suor (Sweat, 2020) apresenta Sylwia (Magdalena Kolesnik), uma digital influencer, realizando um evento de ginástica com seus seguidores em um shopping. O rosa vivo de suas roupas e as músicas animadas dão vivacidade à personagem e à forma como ela deseja se apresentar aos outros. 

Ao falar para os fãs: “aceitem a si mesmos e aos seus corpos”, certamente Sylwia tem boas intenções, mesmo sabendo bem que não é assim que opera a indústria da beleza. A protagonista sempre tem que falar a coisa certa ou se mostrar feliz, uma vez que sua vida depende de sua imagem. Ao retratar intimamente sua vida, o longa traz as contradições e as nuances de uma vida perfeita nas redes sociais. 

Mostrando diversos momentos da vida da blogueira, a direção de Magnus von Horn apresenta cenas com intensos movimentos de câmera, sem muitos cortes, que retratam a rapidez da vida, ainda que em simples momentos como passear com o cachorro. Cenas longas e silenciosas também integram o filme, em passagens nas quais a protagonista passa por reflexões ou para instaurar tensão em situações em que ela tem relações conflituosas com outros personagens. 

Com uma atuação estável, de altos e baixos, Magdalena Kolesnik passa emoção nos momentos cruciais e se conecta à Sylwia ao trazer os dois lados de uma vida dentro de uma tela.

O grande conflito na vida de Sylwia é seu sentimento de solidão na vida rotineira em contraponto aos seus quase 600 mil seguidores no Instagram. A escuridão da noite em que Sylwia passa sozinha em seu apartamento contrasta com o rosa vivo que ela sempre mostra em seus figurinos ao aparecer para o público. Devido à essa sensação, ela sempre tenta agradar ao máximo as pessoas ao seu redor, situação irônica por se tratar de uma mulher no padrão de beleza e que ocupa uma posição em que muitas outras gostariam de estar. 

 

Sylwia, de Suor. [Reprodução/ MUBI, Inc.]

Sylwia. [Reprodução/ MUBI, Inc.]

 

Com um ritmo instável e, por vezes, lento, a produção não aprofunda em algumas das mensagens que deseja passar, faltando pontos de clímax. A falta de desenvolvimento de alguns personagens e situações apresentados também enfraquece o impacto que as cenas causam. Apesar disso, o roteiro consegue fechar as pontas que gera ao longo da narrativa e as reaproveita em cenas posteriores, para que não haja a sensação de que algo está ali ao mero acaso.

Diferente do que se pode esperar de um longa com esse tipo de críticas às redes sociais e ao estilo de vida contemporâneo, Suor não vilanifica e, muito menos, debocha do papel da digital influencer. Não integra o espectro preto, nem branco, mas sim, uma área cinza. 

Integrado na Seleção Oficial de Cannes 2020, Suor apresenta uma personagem que tem seus graus de complexidade e que realmente impacta a vida de seus seguidores, assim como é visto no evento de malhação nos primeiros minutos de filme. Realmente, alguns dos problemas de Sylwia são dignos do meme “problemas de gente branca”, mas outros mostram ao fundo os perigos e dificuldades que uma vida de tanta exposição na internet pode causar, e é difícil não simpatizar. 

Confira o trailer:

*Imagem de capa: Reprodução/ MUBI, Inc.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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