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6 profissionais que nos fizeram repensar o belo na moda
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16 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Abra alguma daquelas bíblias fashion, que chegam a ter mais de 600 páginas, e conte quantas pessoas não brancas, magras ou altas estão lá representadas. É muito provável que consiga contá-las nos dedos. Procure também imagens que despertem algo além do desejo de compra, que provoquem reflexão, que gerem algum desconforto. Infelizmente, também costumam ser pouquíssimas. A mesma monotonia está cada vez mais presente nas passarelas. No tempo imediatista do see-now-buy-now, é difícil encontrar um desfile que seja mais do que uma vitrine em movimento e proporcione uma experiência imersiva ao expectador. Porém, existem profissionais do meio que pensam a moda com mais profundidade, surpreendendo e instigando quem os acompanha a utilizá-la como um convite à reflexão sobre o mundo que os cerca.

Alexander Mcqueen

Esse é o caso de Alexander Mcqueen. O estilista inglês sabia impactar uma plateia como ninguém. Seus desfiles  eram inesquecíveis. Não só pelas peças super ousadas, com trabalhos inacreditáveis de modelagem, mas, principalmente, pela forma com que elas eram apresentadas. Chuva, labaredas, robôs que jateiam tinta ou um holograma gigante da modelo Kate Moss são apenas alguns dos recursos que transformavam suas apresentações em verdadeiros espetáculos. Com referências históricas de Joana D’arc ao saqueamento da Escócia pelos ingleses, um toque de fantasia e de estilo punk, Mcqueen criava imagens tão belas quanto impactantes. Em 2015, o museu V&A prestou tributo à obra do estilista falecido em 2010:

Paulo Martinez

Outro que faz uso de imagens de moda provocativas para transmitir mensagens que vão muito além da roupa é o editor Paulo Martinez. Ele já foi responsável por editoriais das revistas “Vogue”, “Elle” e “Marie Claire” e já ocupou o cargo de editor de moda da revista “FFWMAG”. Neste último veículo, seu trabalho possuía o que Clarissa Xavier Londero, formada em comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), classifica em sua monografia como  uma “estética do estranho” definida pela “abordagem de temas polêmicos ou reprimidos pela sociedade; fuga das regras ortodoxas da fotografia; maquiagem e figurinos exorbitantes e inusitados; poses exageradas e incomuns dos modelos”.

A foto de capa com nitidez comprometida e de ponta-cabeça da 12ª edição da FFWMAG traduz a ousadia do trabalho de Paulo Martinez. Imagem: Reprodução

Diana Vreeland

Enquanto a “sacerdotisa da moda” esteve sob o comando da Vogue e da Harper’s Bazaar americanas, o convencional passou longe das imagens que as estampavam. Diana apostava nos extremos: a incrível altura de Veruschka; a magreza de Twiggy; o grande nariz de Barbra Streisand. Para ela, a beleza estava além dos padrões. De acordo com o fotógrafo Stephen Paley, Diana dizia: “se você é alto, seja mais alto, use sapatos de salto. Se você tem o pescoço longo, sinta orgulho dele. Não se curve. Se você tem um nariz grande, erga-lo e faça dele a sua marca registrada”.

Assistir ao documentário “Diana Vreeland: The Eye Has to Travel” é um bom começo para entender o quanto a editora revolucionou a história da moda:


Jean Paul Gaultier

Esse grande nome da moda francesa é mais um exemplo de rebeldia contra os padrões de beleza impostos pela moda. Em seus desfiles, os homens transpõem as barreiras de gênero e as mulheres são fortes e sensuais. Sua assinatura traduz tanto o pop de Madonna, com o famoso sutiã em forma de cone, quanto com o rock indie de Beth Ditto. Mas o mais importante é que, em seus desfiles com cara de festa, sempre há espaço para alguém que fuja dos padrões.

Cantora Conchita Wurst encerra desfile de Alta-Costura, outono-inverno 2014/2015, de Jean Paul Gaultier. Imagem: Pascal Le Segretain/ GettyImages

Pat Mcgrath

Dona de sua própria marca de cosméticos, Pat Mcgrath é a maquiadora mais influente do mundo, lançando tendências de beleza um tanto ousadas. Uma das últimas foi o batom com glitter, usado por Naomi Campbell no VMA do ano passado.

Naomi Campbell atrai todos os flashs para o kit de batons “Lust 004”, de Pat Mcgrath, no VMA 2016. Imagem: Dimitrios Kambouris/GettyImages

Seu trabalho é ainda mais inovador nos backstages dos desfiles de marcas como Christian Dior,  Versace e Miu Miu, onde não para de recriar seu estilo em consonância coma ideia de cada coleção. O fato de Pat ser negra foi fundamental para a indústria da beleza perceber que ela não deve ser feita apenas para pessoas brancas. Antes, Pat precisava testar vários pigmentos e misturar tons de base para não deixar a pele das modelos negras com acabamento acinzentado. Hoje, marcas como NARS, Estée Lauder, Bobbi Brown e Mac chegam a oferecer até 14 tons de base para a pele negra.  

Fióti e Emicida

No Brasil, são os rapper Evandro Fióti e Emicida, que vêm mostrando que negros também podem ditar tendências de moda e beleza. Donos da marca Laboratório Fantasma, os irmãos produzem suas coleções tendo a periferia como inspiração. A grife pretende abarcar as diversidades de corpos presentes no país. Para isso, disponibiliza peças do modelo 36 ao 58. Há três edições, a LAB vem colorindo as passarelas e corredores da SPFW. Ela é um exemplo do potencial que a moda possui para acolher grupos esteticamente marginalizados e transformar a sociedade.

Confira o desfile da marca na 44ª edição da SPFW:

Por Letícia Vieira Santos
leticiavs@usp.br

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