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A 5ª Onda, entre clichês e romances
CINÉFILOS
20 jan 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Maria Beatriz Barros
mabi.barros.s@gmail.com

O fim do mundo é um evento quase romântico. Algo nas mortes em massa, na terra se abrindo e no medo constante e persistente mexe com o coração dos adolescentes e os faz se apaixonar, mesmo depois de perder toda sua família, amigos ou conhecidos.

Em A 5ª Onda (The 5th Wave, 2016), a humanidade é surpreendida por uma invasão alienígena. Após dias sem fazer nenhum contato, os extraterrestres começam os ataques à população da Terra cortando toda a energia elétrica. A ação já foi o suficiente para instaurar o caos completo: aviões caindo, acidentes de carro, comunicação cortada. Mas esta foi só a primeira onda. Na segunda, terremotos assolam o planeta e geram grandes tsunamis, que dizimam as cidades costeiras e ilhas. Logo em seguida, o vírus geneticamente modificado da Gripe Aviária mata mais algumas milhões de pessoas. Na quarta onda, “Os Outros”, como ficaram conhecidos os alienígenas, se hospedam em corpos humanos, gerando a desconfiança total.

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Nave dos Outros, alienígenas, em cidade destruída pela 2ª Onda. Foto: Divulgação

Em meio ao caos, Cassey Sullivan (Chlöe Grace Moretz) se prepara para a 5ª Onda, enquanto busca seu irmão mais novo, Sam (Zackary Arthur), levado pelo Exército Americano a uma base supostamente segura. No caminho, ela conta com a ajuda de Evan Walker (Alex Roe), um misterioso rapaz que salvou sua vida.

As personagens de Chlöe Moretz e Alex Roe. Foto: Divulgação

As personagens Cassey Sullivan e Evan Walker. Foto: Divulgação

A nova franquia de filmes para o público infanto-juvenil não deixa de receber comparações com suas predecessoras na indústria cinematográfica, Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012-2015), Divergente (Divergent, 2014) e Maze Runner (Maze Runner, 2014). Sobre o assunto, o ator Nick Robinson, que interpreta Ben Parish no longa, comenta: “Diferente dos outros filmes do gênero, não há ninguém predestinado ou escolhido, não há uma pessoa que se sacrifica para salvar a humanidade. É realmente só um conjunto de pessoas comuns que se juntam para sobreviver”.

No entanto, A 5ª Onda cai nos mesmos erros que as franquias com as quais os seus atores insistem em se comparar. Falas absurdas, adolescentes se apaixonando em meio ao caos, atuações fracas e superficiais. Ao menos o filme carrega alguns toques de empoderamento feminino na personagem de Chlöe, mas nada de muito incisivo.

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Chlöe Moretz, como Cassey Sullivan. Foto: Divulgação

Certamente, a produção agradará legiões de adolescentes, desde os fãs do livro homônimo, de Ryan Yancey, ao filmes, aos órfãos de Jogos Vorazes. Mas é valida a indagação: quais tipos de valores estes tão populares filmes apocalípticos estão disseminando à nova geração? Ou melhor, se eles transmitem algum valor, ou só a iludem com a romantização da desgraça? Fica aí a pergunta.

A 5ª Onda estreia nos cinemas em 21 de Janeiro, e conta com Ron Livingston, Maggie Siff, Maria Bello e Liev Schreiber (de Spotlight e X-Men) no elenco.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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