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A bandeira francesa no cinema – Trilogia das cores
CINÉFILOS
17 set 2013 | Por Jornalismo Júnior

“Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, esse foi o lema da Revolução Francesa de 1789 e também uma das inspirações para cores da bandeira do país. Mas o que ele significa? Qual a verdadeira relação da sociedade com essas palavras e, por consequência, com essas cores?

A Trilogia das Cores, do diretor polonês Krzysztof Kieślowski (1941-1996), traz a tona essas perguntas ao abordar questões incomuns, mas que, se analisadas, mostram como as pessoas reagem em situações limite que englobam a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.

As cores azul, branco e vermelho também compõem o cenário e se relacionam à trama de cada filme da trilogia, que são: A Liberdade é Azul (Trois Couleurs: Bleu, 1993), A Igualdade é Branca (Trois Couleurs: Blanc, 1993) e A Fraternidade é Vermelha (Trois Couleurs: Rouge, 1994).

O primeiro filme da trilogia recebeu o Leão de Ouro (melhor filme e melhor atriz), além de ter tido outras importantes indicações. Já o A Igualdade é Branca foi premiado com Urso de Prata (melhor diretor) e o A Fraternidade é Vermelha teve várias indicações, entre elas para o Oscar (melhor diretor, melhor fotografia e melhor roteiro original).

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A Liberdade é Azul (1993)

Julie, interpretada por Juliette Binoche, se depara com a liberdade após a morte de seu marido e de sua filha em um acidente de carro. A protagonista decide, então, se desfazer de todos seus bens, mantendo apenas o necessário para viver com conforto. Ela se muda para um apartamento longe de todos seus conhecidos e de qualquer lembrança sobre o ocorrido. Essa atitude seria uma fuga ou uma extrema liberdade em relação a tudo?

Seu marido era um reconhecido compositor, porém Julie compunha grande parte de suas músicas sem levar créditos por isso. Porém, ela não se demonstra incomodada com essa situação, e aparentemente, ela não faz questão de ter seu nome nas músicas. Assim, percebe-se que mesmo antes de sua perda, Julie já não era apegada a valores e bens convencionais.

Julie, logo no início do filme, é questionada por não estar chorando. A personagem não sofre do jeito que se espera de uma pessoa que passa por uma perda grande como a dela. Ela abraça sua dor em silêncio, sem grandes demonstrações de desespero. Julie aceita sua liberdade com resignação.

A obra mostra uma visão de liberdade diferente da que estamos acostumados: ela envolve solidão e falta de envolvimento emocional com objetos e pessoas, além de nem sempre ser uma questão de escolha.

Blanc, a Igualdade é Branca (1993)

O segundo filme da trilogia é sobre um cabeleireiro polonês, chamado Karol (Zbigniew Zamachowski), que se casa com uma francesa, chamada Dominique (Julie Delpy). Karol passa por situações horríveis depois que sua esposa pede divórcio pelo fato de o casamento dos dois não ter sido consumado. O que acontece com Karol se dá não só pelo extremo azar do personagem, mas também pela maldade gratuita da maioria das pessoas que passam pelo caminho dele.

Seria a delicadeza interpretada como fraqueza em nossa sociedade? Encontrar uma pessoa numa situação pior que a sua é justificativa para humilhá-la? Essa crítica a sociedade é explicitada no filme, que mostra que quando alguém se demonstra vulnerável, a tendência da maioria das pessoas é abusar dessa situação.

E é por isso que o protagonista decide ganhar dinheiro e se vingar de sua ex esposa. Karol não deixa de ser uma pessoa extremamente sensível, mas mesmo sofrendo, ele segue com seus planos. Apenas a partir do momento que ele começa a se impor, as pessoas passam a respeitá-lo. Mesmo assim não é uma situação de igualdade, pois Karol é respeitado após se tornar superior aos outros.

A pergunta que fica é: a igualdade tem espaço numa sociedade tão competitiva e individualista como a nossa?

Rouge, a Fraternidade é Vermelha (1994)

O último filme da trilogia conta a história de uma estudante e modelo chamada Valentine, interpretada por Irène Jacob. Em uma noite, ao se distrair trocando as estações de rádio de seu carro, Valentine acaba atropelando uma cadela. Através da coleira ela localiza seu dono e vai atrás dele. É assim que a personagem acaba conhecendo um juiz aposentado, que demonstra muita apatia e infelicidade.

Depois, através de outro acaso, Valentine acaba indo de novo na casa desse juiz e descobre que ele ouve a conversa de seus vizinhos. A primeira reação dela é sentir asco, mas ao desenrolar a história, os dois se tornam amigos.

Percebe-se que as reações do juiz e de Valentine ao ouvirem as conversas de telefone eram diferentes. O juiz as usava para reafirmar sua descrença na sociedade. Já Valentine acreditava que aquela era apenas uma face das pessoas, que poderiam ser boas em outros aspectos de suas vidas. Essa visão otimista acaba contagiando o juiz, que muda seu jeito de viver a partir da convivência com Valentine.

Por Nina Turin
ninaturin48@gmail.com

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