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À Beira-Mar: nadando no raso
CINÉFILOS
03 dez 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Bianca Kirklewski
biancakirklewski@gmail.com

Um escritor que não escreve. Uma dançarina que não dança. Um casal que vive do silêncio. Um público que não se envolve. Como o desfecho das ondas que alcançam a areia da orla, À Beira-Mar (By The Sea, 2015) é raso e superficial.

O longa-metragem conta a história de Vanessa (Angelina Jolie) e Roland (Brad Pitt), casal estadunidense que vive uma crise em seu casamento após 14 anos juntos. Com o pretexto de buscar inspiração para um novo livro, marido escritor e mulher dançarina partem para o litoral francês, onde, longe de qualquer distração, são obrigados a de fato se verem e se notarem. Mas, verdade seja dita, isso raramente ocorre: enquanto Roland se afoga nas piscinas de álcool dos copos do bar, Vanessa tenta se desvincular do mundo chupando pílulas de medicamento como se fossem balas, e vivendo numa espécie de prisão domiciliar voluntária no quarto do hotel. Ambos só se percebem tarde da noite, quando Roland volta cambaleando para a cama e se depara com os olhos enevoados de sua um dia amada. Os cônjuges defrontam-se ainda com um misto de carência e aversão afetiva: Vanessa não aceita ser tocada, e toda vez que se sente tentada ou violada, misteriosos flashes invadem sua cabeça. A conjuntura muda com a chegada de novos vizinhos de quarto: belos franceses recém-casados, vivenciando uma despretensiosa lua de mel. Os jovens passam a tentar interagir com o distante casal, estudando-os e divulgando-os a felicidade de se viver o amor. Em uma tarde de solidão e tédio em seu luxuoso dormitório, Vanessa percebe a existência de um pequeno buraco que conecta os dois quartos. E, desinteressadamente, começa a espionar as intimidades do casal francês. O que começa com indiferença se torna um vício, e a espreita vira um hábito para a deprimida senhora, que lentamente se altera e se descobre em meio às até então perdidas emoções. Dirigido e escrito por Angelina Jolie, À Beira-Mar não cativa. A dificuldade em afeiçoar-se (ou ao menos estabelecer qualquer tipo de relação) com os personagens faz com que o telespectador se distancie do drama. Não é possível mergulhar, entregar-se à história. Parte da culpa deve-se a interpretação de Jolie, que beira ao exagero: percebe-se em seu olhar a tentativa exacerbada de transparecer sofrimento, mas não enxerga-se nada além do tal olhar performático. A fotografia demasiadamente trabalhada, os cenários e as vestimentas ostensivas tornam o filme similar a uma extensa propaganda de alguma grife qualquer de moda. Além de tudo, o roteiro preguiçoso leva a um final frustrante e esperado. Admira-se a tentativa de criar uma obra europeia, que remete ao cinema italiano dos anos 50 e 60, mas tal exercício não resulta em nenhum feito marcante. Assista ao trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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