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A fuga do anonimato editorial em O Mestre dos Gênios
CINÉFILOS
20 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

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O Mestre dos Gênios (Genius, 2016) traz à tona a vida pessoal de um dos maiores editores de livros da história: Max Perkins. O personagem vivido por Colin Firth une-se a um elenco recheado de estrelas como Jude Law e Nicole Kidman para mostrar a amizade cultivada por ele e Thomas Wolfe, escritor interpretado por Law. As lentes do diretor Michael Grandage capturam de maneira incrível uma relação quase sempre negligenciada, mas que não deixa de ter belíssimas e curiosas histórias.

Somos rapidamente apresentados a Max Perkins, um ocupado e ausente pai, responsável por publicar em primeira mão os gênios F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway. Afundado em um novo livro, a imagem de velho ranzinza é atrelada ao editor nos primeiros minutos de filme, muito por conta do ótimo trabalho do premiado Firth (vencedor do Oscar de Melhor Ator em 2011). Finalizada a leitura, Perkins chama o autor para seu escritório, momento em que conhecemos o extravagante Thomas Wolfe. Law dá um ar quase insano ao prolixo romancista, que se expressa majoritariamente em maneiras metafóricas e rebuscadas, algo problemático na sua própria escrita.

A criação do ambiente estadunidense na década de 1930 é muito sutil e rápida: uma transição do preto e branco para colorido reforça a data escrita na tela, transportando a plateia para aquele universo com facilidade. A direção de arte vem como um ótimo complemento desse aspecto; o cuidado na decoração dos cenários e até mesmo em utilizar livros iguais aos vendidos na época dão autenticidade a O Mestre dos Gênios, que também retrata a icônica fila de sopa para lembrar o Crash da Bolsa de 1929.

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O enredo inicialmente se desenvolve sob o extenso processo de edição do primeiro livro publicado de Wolfe, Look Homeward, Angel. Assim se dá o paradoxo central da produção: apesar da prolixidade e do incansável trabalho daqueles homens, o passar dos anos no filme é suavemente mostrado, sempre entretendo com cenas relevantes em uma produção que poderia facilmente ser cansativa e repetitiva.

Kidman completa o trio de protagonistas na pele de Alice Bernstein e, cuja personagem é, da mesma maneira que Perkins e Wolfe, muito bem desenvolvida na trama. O roteirista John Logan obtém sucesso ao criar um verossímil drama centralizado nesses três personagens, baseando-se na obra biográfica Max Perkins: Editor of Genius por A. Scott Berg.

A primeira sensação ao se levantar da poltrona é uma gostosa vontade de procurar o nome de Thomas Wolfe nas prateleiras da livraria mais próxima, e até mesmo de conhecer a escrita de Fitzgerald e Hemingway, personagens que também figuram no longa. O Mestre dos Gênios atinge o objetivo de tirar Max Perkins do anonimato intrínseco à profissão de editor, como ele próprio diz em uma de suas falas. Com tocantes atuações de Law e Kidman, o filme é obrigatório para os amantes da literatura clássica norte-americana e também consegue emocionar aqueles que nunca tiveram contato com essas obras.

O Mestre dos Gênios estreia em 20 de outubro. Confira o trailer!

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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