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A Garota na Névoa
CINÉFILOS
08 nov 2018 | Por Cinéfilos

A Garota na Névoa (La Ragazza nella Nebbia, 2018) é uma produção italiana baseada no romance homônimo de Donato Carrisi. O best-seller alcançou enorme sucesso em 26 países ao redor do mundo, vendendo mais de um milhão de cópias. O longa foi escrito e dirigido por Carrisi, que teve o desafio de alterar a linguagem literária para a cinematográfica.

A história se passa num vilarejo chamado Avechot, localizado nos Alpes italianos, que passa pelo drama do desaparecimento de uma jovem de 16 anos chamada Anna Lou. Essa trama vai sendo construída através de flashbacks, durante uma consulta do detetive Vogel (Toni Servillo), responsável pelo caso, com o psiquiatra Flores (Jean Reno).

A Garota na Névoa

(Imagem: Medusa Distribuzione)

O enredo contém a dose de suspense essencial, não com caráter de terror ou medo, mas com aspecto sombrio. Isto gera curiosidade, apreensão, fazendo o público não desgrudar da tela. Esse envolvimento tem explicação nas características do local onde se passa o caso de Anna Lou. Um vilarejo tomado por montanhas, com áreas arbóreas, tendo o breu extremamente presente como elemento marcante no filme. Um segundo ponto é o caráter de cidade pequena, com uma população muito religiosa, fazendo as pessoas se envolverem com o drama da jovem Anna Lou, surgindo o medo do provável responsável pelo desaparecimento da menina.

Se o diretor acerta na dose de suspense criada ele comete equívocos no modo como os suspeitos são investigados. Na tentativa de prender a atenção do público, com um suspense policial, Carrisi apresenta reviravoltas muito confusos na história. Deste modo, o thriller perde um pouco da força de veracidade, forçando as relações de investigação, encontros e fãs entre as personagens.

Toni Servillo explora muito bem atitudes éticas de dois ramos da sociedade: a imprensa e a polícia. Ele apresenta a forma promíscua de relação entre ambas. Com o jornalismo sensacionalista, que trata o caso de maneira cruel, buscando explorar ao máximo os seres humanos de maneira mercadológica, para promover uma maior audiência. Do mesmo modo, os responsáveis pela investigação policial apresentam atitudes similares à imprensa, com uma conduta condenável. Buscando um bode expiatório para culpar, abandonando as evidências e provas em detrimento da resolução do caso. Isto tudo resulta na troca de informações e benefícios entre o detetive Vogel e a jornalista (Galatea Ranzi).

A Garota na Névoa

(Imagem: Medusa Distribuzione)

Algo notável é a capacidade de explorar a questão psicológica de cada personagem. Primeiramente no agente Vogel que é impiedoso, com uma confiança extrema, sendo vaidoso e não medindo seus atos, acreditando estar acima do bem e do mal. Mas que durante o filme será testado, demonstrando seu lado vulnerável. E posteriormente explora o lado psicológico do professor Martini (Alessio Boni) que tem seu lado frágil no início em oposição a soberba mais ao final do filme. Aspectos traduzidos em falas marcantes do professor, como: “o maior pecado do diabo é…”

Toda essa produção, que tem Donato Carrisi em seu primeiro trabalho como diretor, teve a preocupação de escolher muito bem seus atores. Com o destaque para Toni Servillo no papel de detetive, que conseguiu compor muito bem a personalidade exigida para o papel. Além de Galatea Ranzi, Alessi Boni e presença ilustre de Jean Reno. Elenco e filme que como obra completa deve cativar e surpreender o público.

A Garota na Névoa estreia dia 8 de novembro nos cinemas. Confira o trailer:

por Gabriel Cillo
gccillo@usp.br

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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