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A Hard Day’s Night: um sucesso sem prazo de validade
CINÉFILOS
10 mar 2016 | Por Jornalismo Júnior

Por Bianka Vieira
bianka.vieira2@gmail.com

Cinquenta e dois anos depois, eles estão de volta nas telonas. Apesar do retorno ser marcado por um processo de remasterização que trouxe à produção uma qualidade em imagem e som bastante diferentes do que foi visto no lançamento original, os Beatles ainda cativam e energizam seus telespectadores como nos velhos tempos.

A Hard Day’s Night (1964) ou “Os Reis do Iê Iê Iê”, tradução bizarra dada ao longa no Brasil, é um acerto ao acaso do início ao fim. Da trilha sonora recheada por clássicos da banda à escolha do figurino, o filme traz detalhes suficientemente agradáveis para encobrir seu baixo orçamento e técnicas cinematográficas nada complexas. A miscelânea foi tão boa que, em 1965, rendeu ao roteirista Alun Owen uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original.

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A história se passa durante uma viagem dos rapazes à Londres, onde farão uma apresentação em um programa TV. É claro que, em se tratando dos Beatles, a jornada não haveria de ser assim tão simples: ao longo da trama, eles têm que lidar com fãs histéricas e situações incomuns que acabam culminando no desaparecimento de um dos integrantes da banda.

Apesar de simples, a ideia de Richard Lester era retratar um dia na vida dos Garotos de Liverpool diante do frenesi da beatlemania que, em meados de 64, assolava o Reino Unido e já se alastrava pela América.

Nesse ponto, a escolha do diretor em utilizar uma câmera móvel para dar ao filme toda mobilidade possível, de modo a seguir o quarteto por toda a parte, foi certeira. O acompanhamento do sobe e desce de escadas, a instabilidade da filmagem durante a viagem de trem e a passagem por ambientes mal iluminados colocam-se como elementos vitais para a composição do sucesso, pois, além de dar um toque a mais de realidade ao documentário ficcional, estabelece uma proximidade com o telespectador num tom que beira à intimidade.

É claro que a atuação de John, Paul, George e Ringo não ficaria por menos. Apesar da pouca familiaridade com a dramaturgia e da falácia de que A Hard Day’s Night trata-se de um grande show de improvisos, é evidente a maestria com que desempenham seus papéis e imprimem suas personalidades em momentos bastante pontuais. Como não fisgar, por exemplo, a diplomacia de Paul McCartney, a acidez de John Lennon, o humor oportuno de George Harrison, ou, então, como não se apaixonar por Ringo Starr?

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Oportunamente, a construção desse ambiente engraçado, inteligente e inventivo pelos músicos suprime a divergência entre o enredo e as músicas mal contextualizadas. Como o álbum homônimo ficou pronto posteriormente ao roteiro, pequenos “encaixes” tiveram de ser feitos. Como consequência, temos alguns momentos sem sentido algum, como quando John canta If I Fell, uma das mais belas baladas compostas pelos Beatles, para Ringo. Segundo contam as histórias de bastidores, o take foi regado a gargalhadas e tiradas de sarro.

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Depois de todos esses anos, ainda é difícil identificar a fórmula do efeito arrebatador de A Hard Day’s Night. Se à época de seu lançamento no Brasil as famosas matinês de domingo eram acompanhadas por fãs estridentes e filas que davam voltas e mais voltas no quarteirão, as exibições realizadas nos próximos dias poderão ser mais contidas, porém não menos entusiasmadas. Seja pelo motivo que for, uma verdade pode ser dita: se é difícil desprender os olhos da tela até que o último acorde dos créditos finais seja tocado, quem dirá ficar parado na poltrona.

Assista ao trailer:

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