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“A história de um sonho: todas as casas do Timão” vai além de qualquer estádio
CINÉFILOS
05 jun 2019 | Por Pedro Henrique Costa (pedro_sousa13@usp.br)

“Da Gaviões eu sou, Corinthians joga, eu vou”, o grito de guerra da principal torcida organizada do Corinthians é também a síntese do documentário A história de um sonho: todas as casas do Timão (2019). Com estreia marcada para 6 de junho, o filme tem como tema o antigo sonho corintiano de ter seu próprio estádio. O longa busca relembrar todos os outros palcos que o clube possui alguma ligação antes da inauguração da Arena Corinthians. Porém, se existe um protagonista nesse filme, com certeza não é a Arena, Pacaembu, Fazendinha e nenhum outro estádio. O personagem principal aqui é a torcida do Corinthians.

O filme consegue destacar como, mesmo em campos adversários, sua torcida sempre fez o Corinthians se sentir em casa. Para isso, os diretores Ricardo Aidar e Marcela Coelho utilizam de façanhas do “bando de loucos”. A invasão ao Maracanã na semifinal do Brasileirão de 1976 contra o Fluminense. A despedida no aeroporto que milhares de corintianos fizeram para os jogadores antes do embarque para o Mundial de 2012 no Japão, e depois os 30 mil alvinegros que foram para o outro lado do mundo acompanhar de perto a equipe. Todos esses e outros feitos da Fiel são apresentados no longa com relatos de torcedores, jogadores, jornalistas que contribuem para a mensagem que está no próprio nome do documentário: de que na falta de uma casa, o Corinthians tinha várias.

Porém, justamente quando toca nessas histórias que o filme acaba pecando. Faltam outros pontos de vista além do corintiano. Perde-se chances de mostrar a versão de quem está de fora. Por que não expor a visão de um japonês que tenha presenciado a invasão de 2012? Ou então um ex jogador do Fluminense que tenha visto o Maracanã ter se tornado preto e branco em 1976? Essa via única de narrativa passa menos credibilidade para as histórias contadas dentro do documentário.

Imagem da festa da torcida corintiana no embarque do time para o Mundial de 2012 [Imagem: Band/UOL]

Por mais que a torcida seja a personagem principal, a moderna Arena Corinthians tem grande relevância. O estádio localizado no reduto corintiano, Itaquera, tem sua importância devidamente ressaltada. Desde a derrota para o Figueirense na inauguração em 2014, até títulos posteriores como o Brasileirão de 2015, o papel da Arena nesses eventos é bem retratado.

Porém, a narrativa chega somente até a conquista do Brasileirão de 2017, deixando de lado o ano inteiro de 2018, o que pode acarretar numa sensação de estar vendo um filme lançado há pelo menos 6 meses atrás. A falta de atenção dada para a Copa do Mundo é sentida também. O torneio de futebol mais importante é ignorado e nenhuma das partidas ocorridas em Itaquera aparece, o que acaba sendo uma oportunidade perdida.

Foto em plano aberto da Arena Corinthians Imagem: Arena Corinthians]

Se a relação da torcida com os estádios é um dos maiores méritos de A história de um sonho: todas as casas do Timão, a relação com o Pacaembu é a mais bem desenvolvida. Qualquer que tenha ido ver uma partida no estádio acanhado terá identificação imediata com os entrevistados relembrando detalhes da experiência de ir ver jogos na “Saudosa Maloca” corintiana. E é nisso que o filme aposta, colocando o torcedor na tela como protagonista para que o público se sinta representado e também protagonista da história. Afinal, num documentário sobre o Corinthians seria inconcebível outro personagem principal que não fosse a Fiel. Já dizia a frase: “Corinthians não é um time que tem uma torcida, é uma torcida que tem um time.”

O longa chega aos cinemas brasileiros em 6 de junho. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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