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A Incrível Jornada de Jacqueline: Mais que uma vaca argelina
CINÉFILOS
26 jul 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Mirella Cordeiro
milucordeiro94@gmail.com

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Em tempos de tiros, bombas e intolerância, A Incrível Jornada de Jacqueline (La Vache, 2016) aparece como uma tentativa de apaziguar as culturas árabe e ocidental. A comédia conta uma história que acontece na vida de Fatah Bel-Abbès e de Jacqueline, sua vaca. O argelino, que é casado, pai de duas meninas e completamente apaixonado por seu animal, sonha em participar da Feira de Agricultura de Paris até que, certo dia, por sorte ou fruto da sua perseverança, ele é convidado a participar da feira.

O filme possui cenas maravilhosas das paisagens argelinas e, por ser apenas a segunda obra de Mohamed Hamidi, a qualidade surpreende. Três prêmios de um festival francês de filmes de comédia, o Festival de l’Alpe d’Huez, foram vencidos, incluindo o de melhor filme.

Fatah parte para Paris com a ajuda dos moradores da aldeia onde vive, os mesmos que o ridicularizavam por seu amor a Jacqueline e, talvez por esse mesmo motivo, sua esposa, Naïma, sente certo ciúme. A viagem se torna uma grande aventura! No vilarejo, o camponês passa a ser visto quase como um herói por sair de lá e visitar a França e, até mesmo na escola de suas filhas, o acontecimento serve de pretexto para aprender geografia, francês e matemática.

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No filme, quase todos os homens da aldeia se chamam Mohamed e, já na França, Fatah comenta que na televisão argelina todos têm bigodes e não existe comédia, ou seja, o longa debocha de algumas coisas da cultura árabe, mas, mesmo assim, mostra que nem todos os africanos desejam morar na Europa. Nem todos os muçulmanos são terroristas. Nem todos os árabes odeiam a cultura ocidental. Da mesma forma que nem todos os europeus discriminam os estrangeiros árabes. Pelo contrário, Fatah consegue muita ajuda na França e conquista a todos por ser divertido e inocente. Às vezes tão inocente que se mete em problemas sem querer. E quantos problemas! Quase perdeu a esposa por causa de uma pêra, participou de uma manifestação e até foi preso!

Mas não só Fatah é cativante, Fatsah Bouyahmed, ator que interpreta o protagonista, também encanta qualquer um! É notável que ele interpreta de forma muito natural e, no final do filme, você estará torcendo pelo argelino junto com todo o resto da França. Ele também prova que, para ser comédia, filme nenhum precisa ser americano e ter Jim Carrey, Eddie Murphy ou Adam Sandler.
Ignore a tradução ruim do nome do filme e se deixe levar pela paz entre árabes muçulmanos e franceses. O filme estreia dia 28 de julho. Veja o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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