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A Justiceira une falta de criatividade e boas cenas de ação
CINÉFILOS
18 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

(Imagem: Divulgação)

Caso você presenciasse o assassinato da sua família e a liberação dos suspeitos, como reagiria? O que faria? Tentaria seguir em frente? Se resignaria? Ou faria justiça com as próprias mãos?

Confesso que quando recebi o convite para resenhar o filme A Justiceira (Peppermint, 2018), fiquei super animada com a possibilidade de sair da minha zona de conforto e escrever algo longe dos romances clichês. Migrar para um longa de ação que, pelos seus atores e diretor, parecia ser inovador na área pareceu-me a oportunidade perfeita. Mas ao sair da sala de cinema e refletir sobre o que foi mostrado, a animação pareceu se dissipar.

O longa começa no dia do aniversário de Carly North (Cailey Fleming). Após ninguém comparecer a sua festa, os pais da garotinha, Riley North (Jennifer Garner) e Chris North (Jeff Hephner), decidem levá-la ao parque. Na volta para casa, a família sofre uma tentativa de assassinato. Chris e Carly morrem na hora, Riley vive e acorda no hospital já sem sua família.

A história é contada a partir desse momento. Riley acaba por reconhecer os assassinos, no entanto, eles são liberados por falta de provas concretas e a personagem mandada para um clínica psiquiátrica. Ela se revolta e foge, desaparecendo misteriosamente por 5 anos.

Quando retorna, a personagem de Garner começa a colocar seu plano de vingança em ação e a matar toda a gangue por trás da morte de seu marido e filha. Ela consegue encontrar e matar bandidos que há muito tempo eram caçados pela polícia sem sucesso.

O enredo do filme não é algo que foge do comum. Uma mulher feliz e pacífica após um trauma se transforma em uma justiceira ~assassina~ em série. Apesar de ter seus motivos claros, qual é o seu plano e como ela descobriu informações que ninguém deveria ter não fica claro ao longo da trama.

(Imagem: Divulgação)

Além disso, os três primeiros a sofrer pela sede de justiça de Riley foram os que atiraram em sua família. Eles aparecem amarrados de cabeça para baixo em uma roda gigante. Para o espectador não fica claro como eles foram assassinados, tão pouco como uma única pessoa pendurou os três lá.

A falta de entendimento acontece em outras partes também. Há uma cena na qual o que parece ser o chefe da máfia recebe uma visita que diz: “Não se esqueça que você não é o fodão” (tradução do filme). Mas o filme acabou sem se saber o que isso queria dizer.

O filme também peca ao não trazer uma trilha sonora, ao menos não uma marcante e presente durante todo o longa. Caso me perguntarem quais músicas foram usadas como fundo ou quando foram usadas, não conseguiria citar. Isso dificulta a imersão do espectador na trama.

Os clichês estão por todo o filme e sem nenhum tipo de inovação. Policial bonzinho que parece ser o melhor servo da justiça, mas no fundo é o infiltrado da máfia. Advogado que tenta comprar uma pessoa em um momento frágil. Juiz corrupto. Mulher frágil vestida delicadamente, mulher forte vestida de forma quase sexy. Esses personagens não são nenhum tipo de novidade nas telonas. E a maneira como A Justiceira trouxe é apenas mais do mesmo.

Se tem algo bom no filme, sem sombra de dúvidas é a qualidade da cenas de ação. Elas, diferentemente de todo resto, não decepcionam. Isso talvez seja graças ao diretor, Pierre Morel, especialista em filmes desse gênero.

Ao sair do cinema, o filme é facilmente esquecido. A menos que o espectador, assim como eu, não consiga dormir, pois quer entender os detalhes que o filme não explicita.

A Justiceira estreia no Brasil em 18 de outubro. Veja o trailer:

Por Thaislane Xavier
thaislanexavier@usp.br

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