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A Lenda de Marilyn Monroe
CINÉFILOS
04 ago 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Thiago Castro
thiagocastro96@gmail.com

Marilyn Monroe é uma das personalidades mais famosas de todos os tempos. Dona de uma beleza inconfundível, protagonizou filmes e polêmicas. Em 2013, faturou cerca 15 milhões de dólares, mostrando que é uma personalidade influente ainda nos dias de hoje.

Norma Jeane Mortenson

Marilyn Monroe nasceu no dia 1º de junho de 1926, em Los Angeles, com o nome de Norma Jeane Mortenson. Ela nunca conheceu o pai, e sua mãe tinha problemas psicológicos. A incapacidade de Gladys, sua mãe, em cuidar da filha, fez com que Norma morasse com um casal de pais adotivos até os sete anos de idade. Aos nove, a menina foi parar em um orfanato, e só saiu três anos depois para a casa de Grace, melhor amiga da mãe. Porém, devido às constantes tentativas de abusos sexuais do marido de sua guardiã, mudou-se para a casa de sua tia-avó, onde novamente sofreu agressões sexuais.

No início de 1938, aos 12 anos, Norma foi viver com outra tia, onde declarou que foi um dos únicos momentos onde se sentiu feliz na infância. três anos depois, voltou para a casa de Grace. Porém, o casal aceitou uma proposta de emprego, tendo que se mudar de estado. Com a impossibilidade de levar a garota, então com 16 anos, Norma Jean casa-se com James Dougherty, filho se um vizinho, para não ter que voltar para um orfanato.

De Norma para Marilyn

Segunda Guerra mundial. James Dougherty vai lutar ao lado dos americanos, e Norma começa a trabalhar em uma fábrica de munições. Um fotógrafo, que retratava mulheres operárias, se encantou com a beleza dela e convidou-a para algumas sessões.

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Ainda morena, na fábrica de munições

A partir desse momento, Norma passou a trabalhar como modelo fotográfica. Em seus primeiros trabalhos, ganhava míseros 5 dólares. Porém, o mundo fashion era pequeno demais para ela. Em 1946, divorciou-se do marido e assinou um contrato com a 20th Century Fox. Tingiu os cabelos de loiro e passou a chamar-se “Marilyn Monroe”. Marilyn por ser o nome mais chique da época (embora declarou nunca gostar dele) e Monroe o sobrenome de sua avó materna.

Seus primeiros papéis foram inexpressivos, a maioria sequer tinha falas. Mas a experiência serviu como enorme fonte de aprendizado, onde a musa teve aulas de canto, dança e atuação.

Após ter seu contrato cancelado, passou seis meses com a Columbia Pictures, onde teve seu primeiro papel importante no filme musical Mentira Salvadora (Ladies of the Chorus, 1948). Seu papel era de uma dançarina que se apaixona por um homem rico. Porém, o filme não fez sucesso. Com o fim de seu tempo com a gravadora, Marilyn estava desempregada. Ela então aceitou posar nua por 50 dólares, com o nome de “Mona Monroe”.

Após o ensaio, a loira fez outros trabalhos no cinema. Estrelou Loucos Por Amor (Love Happy, 1949), com relativo sucesso. Fez um papel cômico em A malvada (All About Eve, 1950) e atuou em uma série de outros filmes, que renderam menor destaque, mas aos poucos consolidavam sua carreira de atriz.

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No filme Loucos Por Amor (Love Happy, 1949)

O mundo aos pés da loira

1952. Suas fotos nuas viram destaque de um calendário, gerando um escândalo na época.  Contrariando todas as expectativas, Marilyn inicia suas conquistas com o público, que aceita bem as fotos, devido suas declarações sobre ter posado por não ter dinheiro para pagar o aluguel.

A beleza estonteante da atriz começava a chamar atenção ao redor do mundo, passando a atuar em filmes de maior destaque. Em Só a Mulher Peca (Clash by Night,1952)recebeu críticas favoráveis. No filme Torrente de Paixão (Niagara, 1953) sua sensualidade passa a ser retratada de forma mais forte e agressiva, Tendo como papel uma “femme fatale”. Fez garnde sucesso com o público.

Um de seus papeis mais emblemáticos foi em Os Homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953). Ao lado de Jane Russel, protagonizou o papel de Lorelai Lee, uma dançarina interessada em arrumar um pretendente milionário. Sendo um filme musical, Marilyn teve que cantar e dançar. Além disso, ela precisava superar seu medo de palco, algo que marcou toda a sua trajetória.

O longa foi um marco em sua carreira. Ele estigmatizou a atriz como a “loira burra”, título que permeou muitos de seus trabalhos futuros. Usando de sua inata sensualidade, aliada com uma aparência de fragilidade e inocência, a musa personificou todo o glamour hollywoodiano da década de 50. Sua performance de “Diamonds are a girl’s best friend”, onde Marilyn canta em um casa de show francesa sobre o amor das mulheres pelos diamantes, tornou-se um ícone da cultura pop, influenciando artistas como Madonna.

Outro filme que se tornou um clássico foi O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, 1955). Seu papel era de uma mulher atraente, que quase “enlouquece” um homem casado enquanto sua família está fora da cidade. Nessa produção, foi feita uma das mais famosas cenas de todos os tempos: Sua saia era soprada pelos ventos do metrô. Uma multidão assistia a gravação.

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Merecem destaque também Nunca Fui Santa (Bus Stop, 1956) onde Marilyn encarna uma cantora de salão com pouco talento e Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959, atuando como vocalista de uma banda feminina. O filme recebeu seis indicações ao Oscar, e a atriz ganhou o Globo de Outro com sua excelente atuação. Sua última atuação foi em Something’s Got to Give, nunca finalizado.

Happy birthday, Mr. President

A vida pessoal de Marilyn Monroe foi tão tumultuada quanto sua passagem no mundo do Hollywood. Casou-se três vezes. Três divórcios. Terminou com seu primeiro marido, James Dougherty, por ele não aceitar sua carreira de atriz. O jogador de baseball Joe DiMaggio, seu segundo cônjuge, fez um escândalo no set ao presenciar a cena da saia esvoaçante em o pecado mora ao lado. Romperam 274 dias depois. Alguns afirmam que foi o seu grande amor. Em vida, eles fizeram uma promessa: deixariam flores todas as semanas no túmulo, caso um dos dois morresse. Joe mandou rosas vermelhas 3 vezes por semana, durante 20 anos.

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Seu último marido foi o dramaturgo Arthur Miller. A musa se converteu ao judaísmo para celebrar seu matrimônio. Engravidou, porém perdeu o bebê. Segundo a biógrafa Norman Mailer, ela tinha problemas em engravidar e teria sofrido 12 abortos durante a vida. Seu maior sonho era ser mãe.

A loira teve casos com personalidades famosas, como Marlon Brando, e alguns afirmam que ela curou a impotência sexual de Frank Sinatra. Seu relacionamento mais famoso foi com o então presidente Jonh F. Kennedy. Biógrafos dizem que o casal era constantemente vigiado pelo FBI. Nunca estavam verdadeiramente sozinhos. Um jornal da época chegou a declarar que a esposa do político sempre soube da relação, e rumores afiram que a musa relacionava-se também com o irmão de Kennedy.

Marilyn Monroe cantou “Parabéns a Você” no aniversário do presidente de maneira tão sensual que muitos veem como uma prova do envolvimento deles. O vestido que ela usou na ocasião tinha 2500 diamantes falsos, e era tão apertado que foi costurado em seu próprio corpo. Sem roupas íntimas. Foi leiloado em 1999 por 1,26 milhão de dólares.

A loira burra que lia Fleubert

O estigma de “loira” burra que marcou toda a sua carreira, é presente até hoje. Ela protagonizou repetidos filmes em que encarnava uma mulher fútil, atrás de joias e dinheiro, com uma inteligência direcionada a seduzir os homens. Sua beleza foi e ainda é objeto de culto absoluto. Com seus 1,67 metros de altura e 94 centímetros de busto, Marilyn Monroe encantou o mundo. Ela fugia dos padrões magérrimos de hoje em dia, sendo “baixinha” e cheia de curvas. Foi talvez uma das mulheres mais lindas do século. Essa objetificação retratava um pensamento da época, a sociedade americana e todo o glamour de Hollywood que reduzia as mulheres ao sexo.

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Apesar dos papéis pouco profundos, toda moeda tem dois lados. Marilyn era uma pessoa inteligente e infinitamente mais complexa. Era fã de Freud. Tinha centenas de livros em sua biblioteca pessoal, incluindo arte, psicanálise e clássicos da literatura, como Gustave Fleubert. Sempre procurou se reinventar e se aprimorar. Travou uma batalha contra a indústria do cinema. Lutou muito para vencer seu terrível medo de palco e teve aulas no lendário Actor’s Studio, uma das maiores escolas de atores dos Estados Unidos, com ex-alunos famosos como Al Pacino e Marlon Brando. Ela queria um Oscar, desejava papéis mais desafiadores. Montou sua própria produtora, a “Marilyn Monroe Productions” (embora tenha feito apenas um filme). Usava roupas curtas e falava abertamente dos abusos sexuais que sofreu na infância, atitudes espantosas para uma mulher na época. Ela era bem mais que uma simples loira burra.

Sua personalidade tinha tantas facetas quanto os diamantes que suas personagens almejavam. Jane Russel, atriz que contracenou em Os Homens Preferem as Loiras e amiga pessoal declarou que Monroe era “muito tímida, muito doce”.

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Porém, o peso esmagador da fama teve suas consequências. Em seus últimos anos de vida, agravaram-se seus problemas psicológicos e com o álcool. Esquecia muitas falas, rejeitava e mandava reescrever roteiros. Alguns boatos afirmavam que ela colocou uma cláusula em seu contrato que a liberava das gravações em seu período menstrual. Atrasava constantemente para as gravações, e tornou-se cada vez mais hostil. Tony Curtis chegou a declarar que “parecia estar beijando Hitler” quando perguntado sobre suas cenas com Monroe em Quanto mais quente melhor

O desfecho sem fim

Madrugada do dia 5 de agosto de 1962. Marilyn Monroe tinha 36 anos. A  luz do quarto da loira encontrava-se acesa às três da manhã. A governanta liga para o psiquiatra de Monroe, que ao chega ao local constata: o maior símbolo sexual de todos os tempos estava morto. Na autopsia, o óbito foi descrito como “envenenamento barbitúrico agudo”, de um “provável suicídio”.

“Provável”. Essa palavra paira até hoje sobre a razão da morte da estrela. Em seus últimos dias, Marilyn estava depressiva e sofrendo de insônia. Poderia ter errado na dose de seus remédios para dormir, em uma tentativa desesperada de pegar no sono (mesmo provavelmente tendo ingerido cerca de 50 deles). Teorias da conspiração afirmam que ela teria se envolvido com a máfia. Sabia demais, uma queima de arquivo. Outros dizem que ela foi assassinada por ciúmes, por ter se envolvido com Kennedy e seu irmão ao mesmo tempo.

No vídeo abaixo, um dos últimos de sua carreira, a atriz aparece em teste de cabelo, maquiagem e figurino para a gravação de Something’s Got To Give. Mesmo com a sensualidade de sempre, é possível perceber a tristeza em seu olhar.

Talvez jamais saibamos o que ocasionou sua morte. É um mistério que durará para sempre, assim como a beleza inconfundível de Marilyn Monroe.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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