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A maior caça ao tesouro da história
CINÉFILOS
13 fev 2014 | Por Jornalismo Júnior

Por Amanda Manara
apmanara@gmail.com

Com certeza você já estudou muito sobre Segunda Guerra Mundial. As consequências da guerra, as milhares de mortes, as Batalhas de Stallingrado, Bulge, Dia D, Pearl Harbor são assuntos mais do que conhecidos e ensinados nas escolas. Entretanto, um acontecimento tão grande quanto todos esses e quase não divulgado é o roubo de milhões de obras de arte pelos nazistas, que aconteceu durante a guerra. Talvez esse fato não tenha hoje tanta repercussão porque grande parte dessas obras conseguiu ser recuperada. E tudo graças a um grupo de americanos, conhecidos como Monuments Men, que se encarregaram de fazer uma verdadeira caça ao tesouro pela Europa para resgatar toda a cultura e a arte do continente. Agora essa história chega aos cinemas, no filme Caçadores de Obras-primas (The Monuments Men, 2013), baseado no livro homônimo de Robert M. Edsel. Produzido e dirigido por George Clooney, o longa também conta com o ator no elenco, ao lado de Matt Damon, Bill Murray e Cate Blanchett.

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O filme narra a história dos Monuments Men, desde a formação do grupo e a caça à voluntários, realizada por Frank Stokes, interpretado por Clooney. Este saiu pela Europa reunindo arquitetos, engenheiros, curadores de arte e os mais diversos profissionais que tivessem interessados em participar do resgate da história cultural de seus países. Esses homens, muitos deles sem experiência alguma no exército, aceitaram entrar nessa batalha incerta apenas pelo valor histórico que estava sendo perdido nas mãos dos nazistas. No longa, são retratados com mais profundidade 8 desses homens, mas na realidade o grupo contava com cerca de 350 pessoas, de 13 países diferentes.

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Com um mapa em mãos e percorrendo cidades como Normandia, Paris, Bruges, Merkers, Siegen, os caçadores partiram em busca de algumas das obras mais famosas da história da arte, como a Madona, de Michelangelo. Em sua busca, se deparam com o motivo que estaria movendo Hitler a organizar todos esses roubos: seu sonho sempre fora ser artista e arquiteto. Porém seus planos foram por água abaixo quando sua matrícula na Academia de Belas-Artes de Viena foi recusada por uma comissão de supostos especialistas em arte que ele acreditava serem judeus. Hitler passou então a planejar a construção de um museu, o Fürermuseum, com as obras roubadas de grandes artistas, como Rembrandt, Leonardo da Vinci, Vermeer, entre outros. Eram mais de 5 milhões de peças, constituindo o maior roubo da história.

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Após o grupo percorrer todas as cidades destacadas em seu mapa, sem obter sucesso, James Granger (Matt Damon) descobre que aqueles lugares estavam em evidência por causa de suas minas – de cobre, sal, potássio. Ao retornarem à busca, acabam encontrando grande parte das obras nessas minas. Além disso, James também contou com a ajuda da secretária de um dos nazistas envolvido nos roubos. Claire Simone (Cate Blanchett) lhe deu um livro com todos os endereços para onde eram enviadas as obras.

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Personagens como essas, Claire Simone, no filme, Rose Valland na realidade (os nomes foram alterados no longa) tiveram grande participação no reencontro da Europa com grande parte de sua essência artística, que estava se esvaindo, assim como muitas vidas, nas mãos dos nazistas. Os Monuments Men, que arriscaram suas vidas entrando numa guerra voluntariamente por uma causa tão nobre, conseguiram, felizmente, atingir seu objetivo. Apenas não conseguiram evitar que algumas vidas fossem sacrificadas no caminho. Apesar de repetirem sempre, como um lema, “Nenhuma obra de arte vale uma vida”, eles não conseguiram evitar que dois de seus soldados morressem bravamente. Um deles, tentando salvar a Madona, de Michelangelo. Por isso essa foi uma das obras mais procuradas, para que o esforço do companheiro não tivesse sido em vão. Por fim, Frank consegue achá-la em uma das minas. Ao ser perguntado se achava que o soldado morto pensaria que teria valido a pena morrer para salvá-la, ele responde que sim, que enquanto as obras existirem e forem admiradas por pessoas de todo o mundo, por sua beleza, sutileza, e mesmo por toda essa história emocionante envolvida, cada gota e sangue e suor derramados terá valido a pena.

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E nas palavras do Presidente Franklin D. Roosevelt, na cerimônia de inauguração da National Gallery of Art, em 17 de março de 1941: “Seja lá o que for que estes quadros talvez tenham sido para os homens que olharam para eles uma geração atrás – hoje, eles não são apenas obras de arte. Atualmente, eles são símbolos do espírito humano, e do mundo que a liberdade do espírito humano criou… Aceitar este trabalho hoje é afirmar o propósito do povo americano de que a liberdade do espírito humano e da mente humana, que produziu o que há de melhor na arte no mundo e toda a sua ciência, não será totalmente destruído.”

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