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A Menina e o Leão, o improvável carrega uma mensagem
CINÉFILOS
09 maio 2019 | Por Cinéfilos

Por Ana Luiza Cardozo
analuizavazcardozo@gmail.com

Um majestoso leão branco e uma jovem idealista, juntos, em busca de um lugar melhor. Parece inesperado, mas é exatamente o que acontece em A Menina e o Leão (Mia and The White Lion, 2018) com direção de Gilles de Maistre. Mia (Daniah De Villiers) é obrigada a se mudar com sua família para uma fazenda de leões na África do Sul, em virtude dos negócios do pai John, interpretado por Langley Kirkwood. Acostumada com os ares e amigos da efervescente Londres, ela se vê completamente perdida e incomodada em seu novo lar bucólico, em meio à savana africana. Preocupados com a infelicidade e comportamento rebelde da menina, os pais decidem trazer para dentro de casa um leãozinho albino, chamado Charlie, que acabara de nascer na fazenda. É através da amizade e afeição pelo animal que Mia reencontra a alegria e acaba aceitando sua nova morada.

Durante a exibição, somos apresentados à simpática família e à propriedade, com direito a belas cenas externas, que incluem paisagens deslumbrantes e animais selvagens. John e Alice Owen (Mélanie Laurent) parecem um casal feliz, com seus dois filhos e um projeto de pousada, tudo digno de um comercial de margarina. É no decorrer do filme que percebemos que a perfeição é apenas uma fachada que esconde questões mais complexas e duras, a começar pelo trabalho do pai envolvendo a venda dos leões criados em cativeiro.

Outro sujeito que quebra a aparente plenitude dos Owen é o irmão mais velho de Mia, Mick (Ryan Mac Lennan), que apresenta transtornos mentais, o que o faz ser pouco sociável e tenha ataques de pânico durante a noite. Ele vê no ato de acolher e cuidar de animais uma forma de aliviar sua angústia, se apresentando como um personagem interessante, inteligente, grande cúmplice das loucuras da irmã e que, infelizmente, poderia ter sido mais bem aproveitado na história.

A família Owen com o leão branco Charlie [Imagem: Copyright Coert Wiechers Galatée Films – Outside Films]

A personagem principal conquista a admiração do espectador aos poucos. Mia é carismática, corajosa e atrevida, mostra ao público a que veio e prova ser capaz de tudo para fazer o que acredita ser o certo e salvar seu melhor amigo, contudo, algumas situações beiram o absurdo, deixando bem claro que a obra é uma ficção. Situações como uma menina de 13 anos dirigindo sozinha pelo país ou um leão atravessando um shopping sem causar estragos, fazem com que a história passe longe de ser verossímil e, por vezes, perca a força por extrapolar nesse quesito.

Falando da relação entre Mia e Charlie, é inegável que a dinâmica entre os dois seja incrível, deixando o público tanto comovido pelo carinho que transborda das telas, quanto aflito pela proximidade da criatura selvagem com a criança. O vínculo foi construído de verdade, já que a produção foi filmada durante 3 anos, tempo necessário para que a atriz e o animal (sim, é um leão real) crescessem juntos, evitando possíveis ataques durante a gravação. O trabalho teve o acompanhamento do zoologista Kevin Richardson, especialista nesses felinos. O afeto e a passagem do tempo verídicos são pontos interessantes do filme.

Mia e seu melhor amigo, Charlie, agora um animal grande e selvagem [Imagem: Copyright Studiocanal GmbH / Kevin Richardson]

Como nem tudo são flores nessa aventura, além de algumas passagens enveredarem para o piegas, há de se destacar a superficialidade de Dirk (Brandon Auret), personagem vilanesco, raso e irritante do filme. Extremamente maniqueísta, o homem surge e desaparece da trama sem maiores explicações. As motivações para as ações de John também não são propriamente esclarecidas, bem como os efeitos de seu negócio na relação com a família e, principalmente, com sua esposa. Apenas uma parte do conflito é abordada de forma rasa e apressada no desfecho do filme. Tudo se resolve de forma corrida e simples demais.

Com o desenrolar da trama, percebemos que a narrativa é uma alegoria sobre a relação dos homens com a natureza e a preservação da vida selvagem. O filme muda de tom e, o que parece uma simples história familiar, torna-se uma lição e denuncia a situação de extinção próxima de leões, causadas pela atividade e ganância humanas. O resultado é satisfatório, mas não espere profundidade.

O longa tem estreia no Brasil prevista para o dia 9 de maio, confira o trailer aqui:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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