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A música pode ser o melhor remédio
CINÉFILOS
23 set 2019 | Por André Derviche (andrederviche@usp.br)

A música marcou e provavelmente a marcará a vida de muitas pessoas. Uma simples canção de poucos minutos pode remeter a um sentimento que levaria horas para ser descrito. Elas contam histórias. Uma dessas histórias é retratada em A Música da minha Vida (Blinded by the Light, 2019), um emocionante relato real de um jovem que cresceu em meio à efervescência cultural do período da Guerra Fria.

Na trama, Javed (Viveik Kalra) é um jovem britânico com ascendência paquistanesa que deve lidar com problemas da vida. Para isso, ele contará com uma ajuda mais do que especial: as canções de seu ídolo americano Bruce Springsteen.

Quando se fala de Guerra Fria, o contraste social acaba sendo um de seus elementos mais interessantes. Se por um lado é criada uma realidade bicromática marcada pela ameaça de destruição global, por outro, temos um cenário encantador de surgimento de novas culturas e cultivo de novos valores. É justamente nessa dicotomia que A Música da minha Vida busca transitar.

É inegável que as subversivas canções da geração sexo, drogas e rock n’ roll marcaram a sociedade da época, porém, também não se pode esquecer da ameaçadora configuração política que se desenrolava naqueles anos. Nesse sentido, a proposta do longa é eficiente. São abordadas várias questões do contexto da época: movimentos de intolerância, a eleição de Margaret Thatcher, discriminação contra imigrantes, entre tantos outros temas que fizeram parte da realidade europeia na década de 80. É assim que o longa funciona no momento de lidar com o plano de fundo social e cria um peso dramático para narrativa.

Mesmo se baseando em uma história real, o roteiro consegue usar todos esses fatores como partes de uma engrenagem para se contar uma história. Para isso, também é trazida à tona a relação atemporal que se constrói com a música. Javed é um jovem como qualquer outro que enfrenta problemas com o amor, um pai mais conservador e os poucos amigos. Porém, ele encontra na música um verdadeiro refúgio para lidar com essas questões.

Apesar de repetitiva e, até certo ponto, previsível no enredo, o uso da música acaba sendo um recurso interessante para que o público conheça a história desse jovem. Também é por meio dela que o roteiro desenvolve o vínculo entre fã e ídolo, representados nesse caso por Javed e Springsteen. Mesmo não trocando uma palavra, há uma relação encantadora entre os dois personagens.

Javed e seu ídolo Bruce Springsteen na vida real [Imagem: Reprodução]

Outro fator que ganha destaque é o elenco de apoio. Com funções bem definidas, os vários personagens coadjuvantes são colocadas nos momentos certos não só para agradar o público com seus respectivos carismas, mas também para evoluir os eventos da trama. O companheirismo da namorada, a fidelidade e genuidade do melhor amigo e o carinho da professora são elementos muito bem retratados com performances convincentes.

Há vários arcos interessantes e o filme consegue lidar com eles muito bem, dando quase sempre o tempo de tela necessário.

Em suas quase duas horas, a obra é cativante aos olhos do espectador. Apesar de eficiente, porém, a duração do longa acaba não sendo muito regular. O primeiro e o segundo ato progridem no ritmo necessário, mas o terceiro acaba com uma sensação mais acelerada, trazendo situações pouco desenvolvidas. Junto a isso, também podem ser lembrados alguns clichês do gênero.

A relação de Javed com as canções de Bruce Springsteen ganham destaque no filme [Imagem: Reprodução]

A música da minha vida também não abre mão de sequências musicais inspiradas e diálogos exagerados, algo que pode desagradar aqueles que esperavam um tratamento mais realista da narrativa. Ainda assim, encontra nos personagens e nos eventos reais a chave para se tornar um filme divertido e emocionante.

O longa chega aos cinemas no dia 19 de setembro. Confira o trailer abaixo:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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