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A Odisseia, um retrato melodramático do Capitão Jacques Cousteau
CINÉFILOS
20 mar 2018 | Por Jornalismo Júnior

O tom do filme, do diretor Jérôme Salle, já está dado desde do seu título. Como em um poema épico, vamos conhecendo a história do explorador e cinegrafista, Jacques Cousteau e a sua família. Além de recriar algumas das melhores aventuras de Cousteau, o filme também explora o homem por trás de um dos ícones mais famosos e admirados da França, ou seja, a humanização e desconstrução de um heroí.

Atrás do volante de seu famoso navio, o Calypso, com um chapéu de malha vermelha, sua marca registrada, ou perseguindo peixes e baleias subaquáticas por meio do seu aparelho de respiração revolucionário, ele foi pioneiro em explorar e depois proteger a vida marinha.

O filme começa em 1948, quando Jacques-Yves Cousteau (Lambert Wilson), sua esposa Simone Cousteau (Audrey Tatou) e seus filhos, Philipe (Pierre Neney) e Jean Michel (Benjamin Laverny) vivem em uma bela casa com vista para o Mar Mediterrâneo. Mas Cousteau sonha com a aventura. Com sua invenção de equipamento de mergulho que pode respirar debaixo d’água, ele descobriu um novo mundo. Agora ele quer explorar este mundo. E durante essa jornada, seu ímpeto inicial se mistura com a gana de conquistar, ganhar mais dinheiro a todo custo.

Temos, por um lado, o Cousteau visionário e entusiasta dos oceanos, pioneiro do mergulho com garrafas de oxigénio, da exploração subaquática, do documentarismo sobre a natureza, dos estudos de oceanografia e do conservacionismo marinho, herói francês por excelência e personalidade de fama mundial; e, pelo outro, o Cousteau egocêntrico, cioso do seu sucesso e da sua imagem pública, sempre à procura de dinheiro para financiar as expedições e a tapear os documentários para conseguir apoios, que engana a mulher, à qual deve o dinheiro com que se lançou na aventura da sua vida, e muito ligado ao filho mais novo, Philippe (produtor da maioria de seus documentários).

É complicado resumir em duas horas uma vida tão atarefada, rica e complexa como a do comandante Cousteau, e Jérôme Salle tem que recorrer às simplificações, omissões e compressões, o que, somado a algumas liberdades dramáticas, acaba por tornar o filme esquemático e até melodramático.

De A Odisseia (L’odyssée, 2016), ficam a interpretação de Lambert Wilson, que atravessa várias décadas da vida do biografado, e sobretudo as belíssimas imagens subaquáticas. O diretor Jérôme Salle disse que o filme foi filmado fora de um estúdio. “Foi um pouco de aposta porque ninguém já havia filmado antes… você diz a si mesmo, se ninguém filmou na Antártida antes que haja uma razão para isso. É como filmar na lua “, disse ele à FranceTV.

É um filme bonito, mas, no final, talvez a abordagem pastiche de Wes Anderson em The Life Aquatic (em que o personagem de Bill Murray é uma homenagem a Cousteau) seja mais original em contar a história de um dos últimos grandes aventureiros-superstars.

O filme chega aos cinemas no dia 22 de março. Confira abaixo o trailer:

por Giovanna Querido
gioquerido@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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