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A piada que não perde a graça
CINÉFILOS
14 set 2012 | Por Jornalismo Júnior

Um galã inconvencional viaja no tempo para combater seu arqui-inimigo, que quer destruir o mundo. Simultaneamente, seduz de formas bem bizarras as mais belas agentes secretas com seu charme da década de 60. Você já viu esse filme, não? Se ainda não se lembra, aqui vão mais dicas: as piadas são todas grosseiras e relacionadas a sexo. Além disso, o única palavra que consegue descrever os efeitos especiais utilizados é “toscos”. É tudo, da abertura com flashmobs aos créditos finais, bem trash mesmo. E você já viu. Aliás, talvez tenha visto essa mesma história três vezes em filmes diferentes. Conseguiu se lembrar?

Estamos falando da trilogia do espião britânico Austin Powers (Mike Myers). O primeiro, Austin Powers – 000 Um Agente Nada Discreto (Austin Powers: International Man of Mystery. EUA. 1997.), logo apresenta a música-tema, que é tocada em todos os filmes, juntamente com cenas dançantes típicas de grandes musicais. Ele começa na década de 60, quando o vilão Dr. Evil, um cientista careca que quer dominar o mundo, se autocongela e é enviado para o espaço, para depois retornar no futuro e tentar, novamente, seguir com seus planos malignos. Para impedi-lo, Austin faz o mesmo e ambos são descongelados nos anos 90.

Obviamente Dr. Evil é derrotado, porém consegue escapar em uma máquina do tempo. O que nos leva ao segundo longa: Austin Powers – O Agente “Bond” Cama (Austin Powers: The Spy Who Shagged Me. EUA. 1999.). O título, tanto em inglês quanto a tradução em português, já chuta o pau da barraca e não tenta, de forma alguma, esconder o caráter trash da saga. Surge um novo personagem: Mini-Me, um clone anão de Dr. Evil. Já o roteiro é basicamente o mesmo. Powers contra Dr. Evil, o bem vence o mal e o vilão consegue escapar novamente, dando abertura para o último filme da trilogia.

Em Austin Powers e o Homem do Membro de Ouro (Austin Powers in Goldmember. EUA. 2002.), um novo vilão surge. E é bem isso que o título diz: ele tem os órgão sexuais cobertos de ouro. Claro, há uma explicação cabulosa de como isso aconteceu, mas podemos concordar que um filme como Austin Powers não precisa de razões palpáveis para nada. O Goldmember une-se às forças de Dr. Evil para, juntos, tentarem acabar com Powers.

Austin Powers estrelando um filme fictício com Beyoncé

Se você não viu nenhum ou algum deles, talvez esteja se perguntando “Ué, mas é só isso mesmo? Três filmes praticamente iguais?”. Sim. E esse é o mote da trilogia: de alguma forma eles conseguiram fazer um roteiro só render três filmes de uma hora e meia cada com piadas praticamente iguais (tem até piada sobre isso no último filme), sem que a graça se perdesse no caminho.

Outro ponto é que quatro personagens da trilogia foram feitos por um único ator. Além de Powers, Dr. Evil e Goldmember, Mike Myers também fez o papel do Fat Bastard, um irlandês obeso que também coopera contra o protagonista. A excentricidade desses personagens é um fator que contribiu para o sucesso da trilogia. Uma senhora alemã que não muda de aparência nas diferentes décadas, um homem com um tapa olho chamado de Number Two, mulheres com nomes do tipo Alotta Fagina, Fook Mi e Fook Yu, que em inglês são trocadilhos obcenos. Não podemos esquecer das Fembots, as robôs gostosonas que tem metralhadoras nos peitos e utilizam a sedução como principal artifício para assassinar seus inimigos.

Referências a cultura pop também enriquecem essa trama. Star Wars é uma das fontes de risada em O Agente “Bond” Cama: a típica abertura com o letreiro que some em um céu estrelado no espaço é utilizada para recapitular a narrativa. Além disso, dessa vez a arma de destruição do Dr. Evil é batizada por ele mesmo de Death Star, em um contexto no qual ele não percebe que está plagiando os filmes de George Lucas.

Austin Powers foi adquirindo tanto sucesso que conseguiu participações ilustres como Elvis Costello e Burt Bacharach cantando “I’ll Never Fall In Love Again”, em um dos momentos musicais e românticos da segunda sequência. Já em O Homem do Membro de Ouro, Beyoncé faz o papel de Foxxy Cleopatra, o par romantico de Powers (que muda a cada filme!).

Austin e Britney Spears

Presenças hollywoodianas foram o grande destaque especialmente nesse longa, já que parte do roteiro inclui grandes estrelas fazendo um filme sobre a vida de Powers. Nos outros já aparecem Will Ferrell e Seth Green como Mustafa e Scott Evil, respectivamente. Porém, dessa vez as participações especiais foram levadas a outro patamar!

Michael Caine, que tem dois prêmios Oscar nas costas, faz o papel do pai de Powers na vida real. Já na produção fictícia dentro da própria ficção, Britney Spears é uma Fembot, Tom Cruise faz o papel de Austin Powers, Gwyneth Paltrow é a agente Dixie Normous, Kevin Spacey incorpora Dr. Evil e Danny Devito seu clone, Mini-Me, John Travolta representa Goldmember e Steven Spielberg aparece como ele mesmo dirigindo essa empreitada. Vale a pena mencionar que Quincy Jones, o compositor da música tema dos filmes, e a família Osbourne também aparecem.

Como acontece com muitos filmes que tem sequências, o primeiro é o melhor. Afinal, uma piada contada pela primeira vez é sempre mais engraçada, tem todo a força da inovação e da surpresa. Entretanto, há piadas que nunca perdem a graça, e isso é exatamente o que acontece com a trilogia de Austin Powers. Se você ainda não viu todos, veja. Afinal, se até o inglês classudo Michael Caine e o renomado diretor Steven Spielberg apoiaram essa história toda, por que não dar uma chance?

Por Letícia Sakata
let.sakata@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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