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A pseudofilosofia do Vendedor de Sonhos
CINÉFILOS
15 dez 2016 | Por Jornalismo Júnior

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Não é novidade pra ninguém que vivemos em um mundo totalmente caótico. O estresse que a vida em sociedade nos provoca é quase sufocante. O desespero nos faz perder o controle e até querer desistir de tudo. É nesse cenário desesperançoso que surge O Vendedor de Sonhos (2016), longa baseado no best seller de escritor e psicanalista Augusto Cury, que busca fazer uma crítica ao nosso conturbado modo de vida.

Júlio Cesar (Dan Stulbach) é um prestigiado psicólogo que, totalmente infeliz com a vida que leva, decide se suicidar. Quando está prestes a se jogar do alto de um edifício, é surpreendido pela figura de um homem em situação de rua, conhecido como Mestre (César Troncoso). Com algumas sábias palavras, o desconhecido consegue impedir que o pior aconteça. Dali em diante, Júlio passa a, literalmente, seguir os passos do Mestre e a adentrar em seu universo. O psicólogo se afasta de sua vida confortável e tenta recomeçar a sua história.

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Júlio e Mestre andam pelas ruas de São Paulo acompanhados de um outro rapaz e um menino, que também vivem em situação de rua. Nas andanças pela cidade, o grupo se depara com inúmeros dilemas do cotidiano. Nessas situações, Mestre sempre tem um comentário ou uma frase de impacto que – por alguma razão incompreensível – faz todos refletirem e mudarem sua visão sobre o mundo. O homem é visto pelo seus amigos como um Deus, dono da sabedoria ou, se preferir, um filósofo.

Embora seja interessante, a figura do Mestre, tentando o tempo inteiro dar uma lição de moral em todos, toca ou convence muito pouco o espectador, virando uma espécie de livro de auto ajuda ambulante que apenas reproduz frases prontas.

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O filme consegue dar seu recado e fazer uma crítica ao comportamento social contemporâneo. A desigualdade, o desespero das empresas capitalistas por lucro, o consumismo desenfreado e os problemas da indústria da moda são alfinetados implícita e explicitamente ao longo de toda obra. Entretanto, o problema é que essa crítica acaba sendo bastante restrita. Tudo é abordado a partir da visão de um grupo de pessoas que pertencem ao mais alto escalão da elite paulistana, baseando-se em como essa pequena parcela da sociedade é afetada por tais questões. Não há como fazer uma crítica social verdadeira e pertinente sem que sejam feitos recortes.

Apesar das falhas, a obra toca em assuntos relevantes que precisam ser discutidos, como o suicídio e outros problemas de ordem emocional como a depressão. “Nós esperávamos ter a geração mais alegre de todos os tempos, até porque nunca tivemos uma indústria do entretenimento tão poderosa, mas a verdade é que nunca tivemos uma geração tão triste como a de hoje; mais de um bilhão de pessoas no mundo, cedo ou tarde, serão abarcadas por algum transtorno depressivo”, disse Augusto Cury durante a coletiva de imprensa do filme acompanhada pelo Cinéfilos, que aconteceu em São Paulo, no dia 6 de dezembro. Ele ainda complementou: “Nós precisamos reagendar a sociedade de consumo e a sociedade moderna”.

Veja o trailer:

Por Igor Soares
digorsoares@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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