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A Sereia: Lago dos Mortos é um exemplo do que não fazer em filmes de terror
CINÉFILOS
30 jan 2019 | Por Cinéfilos

Hoje em dia é muito difícil filmes de terror serem criativos, diferentes e assustadores. Muitos acabam caindo na mesmice do gênero, com fórmulas batidas e, muitas vezes, mal executadas. É o caso de A Sereia: Lago dos Mortos (Rusalka: Ozero myortvykh, 2018), recheado de jumpscares previsíveis, uma história fraca e personagens desinteressantes e rasos.

No longa, Roma (Efim Petrunin) está prestes a se casar. Na despedida de solteiro com os amigos, na antiga casa de seu pai, o jovem é seduzido por uma sereia. A partir daí, ele e a noiva, Marina (Viktoriya Agalakova), passam a ser perseguidos pelo ser demoníaco.

O que chama a atenção, de cara, é a dublagem. O filme tem origem russa, mas optaram por trazê-lo para o Brasil dublado em inglês. Isso pode incomodar alguns espectadores, já que é nítida a diferença nas línguas. O áudio não é bem sincronizado com a boca dos personagens e isso acaba dificultando a imersão na história.

A história tenta entreter e envolver, mas acaba afastando quem assiste devido a maneira como realiza isso. Os protagonistas são extremamente planos e sem nenhum traço de carisma ou personalidade. A própria concepção de Roman e Marina é um clichê mal formulado: ele, campeão do time de natação e ela, a garota que não sabe nadar. Não são passíveis de empatia e tampouco conseguem estabelecer vínculos com o espectador 一 que, provavelmente, não se importará com os dramas e situações apresentadas.

Nadar sozinho em um lago a noite e sem ninguém é uma ótima ideia em filmes de horror [Copyright Splendid Film]

O ser mitológico que dá nome a produção não mete medo (exceto nos momentos de sustos repentinos no qual a trilha sonora vai aumentando e, “do nada”, algo que o público já espera aparece na tela). A única parte interessante envolvendo as sereias está no início, quando a lenda é explorada na Rússia através de uma animação criativa.

Outro aspecto que deixa a desejar é a trama que envolve o passado do monstro. Tudo é contado rapidamente em um flashback e a revelação não é nada empolgante ou surpreendente. Além disso, as regras que o próprio roteiro estabelece não são cumpridas, deixando muitas interrogações na cabeça de quem assiste. O pente misterioso, a forma como a sereia funciona. Tudo é muito jogado e algumas coisas não batem e nem fazem sentido.

O final dúbio não atinge as expectativas e deixa tudo mais frustrante. A Sereia: Lago dos Mortos é mais do mesmo no cenário dos filmes horror contemporâneo, executado da pior maneira possível.

O filme estreia no dia 31 de janeiro. Confira o trailer:

por Marcelo Canquerino
marcelocanquerino@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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