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A velha Paris
CINÉFILOS
16 jun 2011 | Por Jornalismo Júnior

[Meia Noite em Paris]

Paris e viagens no tempo já são velhos clichês cinematográficos. Inúmeros filmes se passam romanticamente na “Cidade luz”, e tantas outras ficções científicas usam viagens no tempo em seus enredos. Não é surpreendente, porém, que um diretor e roteirista competente como Woody Allen consiga unir esses clichês e criar um filme marcante e divertido.

“Meia noite em Paris”, a ser lançado dia 17 de junho nos cinemas brasileiros, conta a história do ex-roteirista e atual quase novelista Gil Pender (Owen Wilson), que idolatra a Paris dos anos 20 e os artistas em que nela viviam. No filme, Gil viaja com sua noiva Inez (Rachel McAdams) em companhia com os pais dela para Paris. Logo se percebe a desaprovação dos sogros a Gil, assim como a relação em ruínas que tem com sua noiva, após ele abandonar a lucrativa carreira de roteirista para escrever um romance.

Após alguns passeios maçantes com sua noiva e amigos, Gil depara-se com uma parte mágica da cidade. Ao aceitar carona em um estranho carro à meia noite, o novelista é transportado para sua “Época de ouro”. Lá, ele encontra seus ídolos como o casal Fitzgerald, Hemingway, T. S. Eliot, e também se encontra com seu interesse romântico: a charmosa Adriana, interpretada pela vencedora do Oscar e do Globo de Ouro Marion Cotillard.

Percebe-se, assim, que o roteiro se baseia numa bem elaborada reflexão sobre a nostalgia, o apego ao passado e a desilusão típica com o presente.

O filme possui vários pontos positivos. As atuações de Wilson e Cotillard são extremamente convicentes, o que torna seus personagens ainda mais carismáticos. O personagem de Owen Wilson merece destaque não só pela ótima interpretação, mas também por se diferenciar dos intelectuais nova-iorquinos característicos de Woody Allen.

O roteiro também merece elogios. A narrativa é rápida e não cansa, mas ainda dá oportunidade para o espectador pensar e refletir. As piadas e as sacadas rápidas, sarcásticas e divertidas de Allen ajudam ainda mais na construção da narrativa.

O grande destaque do filme vai, entretanto, para o enorme desfile de personagens históricos, que arrancavam risadas da platéia a cada aparição. O espectador pode, contudo, se sentir perdido diante as inúmeras referências à cultura da época, principalmente com algumas alusões bem obscuras, mas não é nada que atrapalhe o seu divertimento.

Allen também consegue transmitir uma boa e pertinente “moral da história” sem parecer piegas ou meloso. Mesmo assim, com é de praxe nos filmes de Woody Allen, o espectador com certeza irá se perguntar se a mensagem final é um exemplo de otimismo ou pessimismo do diretor.

O único ponto negativo do filme não é muito bem culpa de seus realizadores. Refiro-me ao hype desnecessário sobre a presença de Carla Bruni no filme. Quem espera assistir o filme para ver uma grande atuação da primeira dama francesa irá se decepcionar. Bruni interpreta medianamente e sua personagem é tão dispensável que nem mesmo possui um nome. Sua minúscula ponta não justifica tamanha atenção da mídia para o assunto.

Por fim, “Meia noite em Paris” é um ótimo filme para divertir e se pensar, mas continua incomparável com os outros clássicos de Woody Allen, como “Manhattan” e “Noivo neurótico, noiva nervosa””. Mesmo assim, é uma película capaz de satisfazer os fãs do diretor, que provavelmente não vão se desapontar.

Por Rodrigo Neves

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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