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A Vida em Si: muitas lágrimas sem saber o porquê
CINÉFILOS
06 dez 2018 | Por Cinéfilos

A Vida em Si (Life Itself, 2018) é dirigido pelo mesmo criador da série This is Us (2016-), Dan Fogelman. O filme e a série tem ideias parecidas: retratar os dramas da vida. O longa conta várias histórias diferentes, que mesmo ocorrendo ao redor do globo, em algum momento se tocam, suscitando uma reflexão muito boa sobre como os coadjuvantes da nossa vida têm suas próprias histórias. Porém, ao tentar apresentar tantas histórias de tantas pessoas diferentes, o filme acaba se perdendo e ficando raso.

O longa inicia com um narrador inusitado e alguma confusão, demoramos a descobrir quem será nosso protagonista ou o que está acontecendo em sua vida. Will (Oscar Isaac) frequenta uma psicóloga após perder sua esposa, Abby (Olivia Wilde) e a primeira parte do filme gira em torno deste casal e sua história. As cenas do passado vão sendo reveladas aos poucos e mesmo assim são constantemente colocadas em dúvida. O ponto principal do filme é logo apresentado: todos os narradores são pouco confiáveis, já que podem manipular a história que contam. A vida, portanto, seria o narrador menos confiável de todos, já que nunca conseguimos prever o que acontecerá no futuro. Tanto Isaac quanto Wilde atuam muito bem, e sem dúvida a primeira parte do filme é a mais bem trabalhada.

Os traumas e momentos dramáticos, no entanto, começam a acontecer tão frequentemente que acabam afastando o longa da realidade ao invés de aproximá-lo. O diretor tenta espremer em um filme de duas horas histórias que seriam magníficas se trabalhadas com mais tempo, mas que acabam se tornando rasas e ultra dramáticas. A ideia de apresentar pessoas e famílias tão diferentes que em algum ponto se encontram e geram alguma mudança na vida umas das outras é ótima e funciona bem, mas seria necessária uma profundidade maior para que pudéssemos nos identificar com todos os – muitos – personagens apresentados.

A Vida em Si

(Imagem: Amazon Studios)

A primeira parte do filme é a que toma mais tempo e Abby e Will acabam se tornando os personagens mais carismáticos, talvez não pelo que passam ou pela atuação magnífica dos dois, mas porque conseguimos nos apegar mais a eles. As referências musicais ao Bob Dylan funcionam muito bem também, criando uma trilha sonora que comove e muitas vezes leva às lágrimas. Tendo em vista que o filme começa a ficar “apressado” no final, o início que, sem dúvida, é cômico, começa a parecer um desperdício de tempo que poderia ter sido melhor utilizado com a trama dos personagens.

O final do filme traz uma bela reflexão sobre como, mais cedo ou mais tarde, a vida nos mostra o amor. Saímos da sala de cinema aos prantos, com certeza, mas sem tanto envolvimento com todos os personagens da trama fica um pouco difícil de entender o porquê de o filme suscitar tanta tristeza. Talvez nos emocionemos por projetar a mensagem do longa em nossas próprias vidas, buscando suprir a rasa relação que construímos com quem de fato está na trama.

O filme estreia no dia 6 de dezembro e você pode conferir o trailer aqui:

por Fernanda Pinotti
fsilvapinotti@usp.br

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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