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A voz no cinema
CINÉFILOS
01 abr 2013 | Por Jornalismo Júnior

Intérprete de clássicos da música como “New York, New York” e “Fly Me to the Moon”, o americano Frank Sinatra conquistou milhões de admiradores, principalmente entre as décadas de 40 e 60. Para isso, usou seu carisma, charme e sua voz ao mesmo tempo forte e macia, que lhe rendeu o apelido de “the voice” (a voz). Além de ser considerado o dono da maior voz do século 20, talvez até hoje insuperável, Sinatra teve uma carreira importante no cinema, participando de inúmeros filmes e contracenando com atores consagrados.

Francis Albert Sinatra (1915 – 1998), filho único de imigrantes italianos, começou a cantar ainda jovem em clubes e transmissoras de rádio de Nova Jersey, nos Estados Unidos. Mais tarde, foi convidado para ser crooner (cantor) da The Tommy Dorsey Orchestra, conhecida em todo território norte-americano.

Em 1941, devido ao seu trabalho como cantor, teve sua primeira participação (embora não creditada) em um filme, Noites de Rumba (Las Vegas Night, 1941), no qual interpretou as canções I’ll Never Smile Again e Dolores, ao lado da orquestra de Tommy Dorsey. Na ocasião, a canção Dolores foi indicado ao Oscar de Melhor Canção.

Ainda na década de 40, enquanto lançava-se em sua bem sucedida carreira de cantor solo, participou de outros dez filmes, desta vez de de fato como ator. Sinatra manteve a média de um filme por ano como ator até 1970, quando as atuações passaram a ser mais espaçadas.

Foi sua atuação no aclamado A um Passo da Eternidade (From Here to Eternity, 1953) que lhe trouxe reconhecimento como ator, tanto por parte da crítica, como também entre o público. O drama se passa em uma base do exército americano no Havaí, às vésperas do ataque de Pearl Harbor.

A trama principal trata do soldado Warden (Burt Lancaster) que tem um caso com Karen Holmes (Deborah Kerr), esposa de seu superior direto. Sinatra interpreta Angelo Maggio, um soldado franzino, de origem italiana e temperamento forte. O personagem entra em atrito com o sargento da prisão da base militar, “Fatso”, para defender um amigo, o soldado Prewitt.

O filme teve um enorme sucesso e venceu oito Oscars, incluindo o de melhor ator coadjuvante para Sinatra. Como Maggio, ele também recebeu o Globo de Ouro de 1954 na mesma categoria.

Sinatra ainda emprestou toda a sua classe para o filme Armadilha Amorosa (The Tender Trap, 1955). Na trama, ele interpreta Charlie Reader, um produtor de teatro e solteirão, que aproveita sua vida cercado por muitas mulheres. Ele conhece Julie Gillis, interpretada por Debbie Reynolds, uma cantora que decidida a ficar na profissão apenas até se casar. Para isso, ela já definiu todos os requisitos do pretendente e até mesmo o dia da cerimônia.

É claro que os dois, embora primeiramente incompatíveis, se apaixonam e vivem um romance divertido e conturbado. Nesta produção, Sinatra e Debbie interpretam a canção tema, The Tender Trap, que se tornaria um grande hit do cantor e o acompanharia por sua carreira.

Outra comédia romântica estrelado por “the blue eyes” foi Vamos Casar outra Vez (Marriage on the Rocks, 1965). No filme, Sinatra vive Dan Edwards, um homem casado que precisa lidar com filhos, esposa e trabalho. Ele viaja para o México com sua esposa Valerie (Deborah Kerr) para comemorar seu 19º aniversário de casamento. No entanto, em meio a uma confusão digna de cinema, acaba se divorciando e seu melhor amigo Ernie (Dean Martin, amigo de Sinatra na vida real) se casa com sua ex-esposa, também por engano.

No longa, Sinatra ainda contracena com sua doce filha Nancy Sinatra, fruto de seu primeiro casamento, que interpreta Tracy Edwards, filha de seu personagem. Nancy, atriz e cantora, também trabalhou com seu pai na música, emplacando canções como Something Stupid (Like I Love You).

Em 1962, Frank Sinatra participou de Sob o Domínio do Mal (The Manchurian Candidate, 1962), um filme com teor mais político e que se afasta dos romances açucarados e engraçadinhos anteriores. Mais uma vez o plano de fundo é o exército americano. Após retornar da Guerra da Coréia, Raymond Shaw (Laurence Harvey) é condecorado como heroi de guerra, mas ele mesmo e seu pelotão tem certas dúvidas sobre sua atuação.

Alguns soldados começam a ter lembranças da guerra e sonhos envolvendo generais russos e pacatas senhorinhas. O soldado Bennett Marco (Frank Sinatra) fica incomodado com seus sonhos e passa a investigar a vida de Shaw e os acontecimentos da guerra, descobrindo uma perigosa lavagem cerebral sofrida pelo pelotão americano. Sinatra teve um papel importante neste filme e o desempenhou muito bem.

Embora atuasse bem e tenha tido uma carreira muito ativa no cinema, Sinatra foi certamente melhor cantor do que ator. Talvez seus “blue eyes”, sua “voice”, seu charme e popularidade o ajudassem a ser melhor aceito no universo da sétima arte.

Por Gabriela Stocco
gabrielamstocco@gmail.com

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