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After é um tradicional romance adolescente clichê que perpetua padrões problemáticos
CINÉFILOS
11 abr 2019 | Por Cinéfilos

Por Luana Franzão
luanafranzao@gmail.com

Inspirado em um livro, que por sua vez é a adaptação de uma fanfic ーhistória fictícia, geralmente escrita por fãs, na qual os personagens são pessoas famosas,ー de mesmo nome, ambas histórias escritas por Anna Todd, After (2019) é um romance adolescente que retrata a relação amorosa de Tessa Young (Josephine Langford) e Hardin Scott (Hero Fiennes-Tiffin). Tessa, uma menina disciplinada e discreta, é caloura em uma universidade distante, fato que a leva a sair de perto da mãe e de seu namorado de longa data, Noah (Dylan Arnold). Ao iniciar o ano letivo, conhece seus novos colegas e decide ter novas experiências, tentando fugir da imagem puritana atribuída a ela. Dentre suas descobertas está Hardin, um garoto misterioso e conquistador com quem engata um relacionamento que será o centro da trama.

Coleção de livros que deu origem ao filme [Imagem: Editora Paralela]

O longa possui uma narrativa clichê, na qual a menina certinha encontra o bad boy que inicialmente a tira do sério, mas depois a conquista por mostrar que seu gênio difícil é apenas uma fachada para os problemas pessoais que enfrenta (os quais ela pensa solucionar). Apesar de vista muitas vezes, a história funciona, principalmente para seu público-alvo. No entanto, o roteiro e o ritmo do filme não são tão fluidos quanto deveriam. Além de deixar o espectador confuso com a linearidade do tempo da narrativa,deixando dúvidas sobre o que aconteceu ou não, de fato, a grande quantidade de cenas triviais do casal acabam acrescentando pouquíssimo ao desenvolvimento dos conflitos, que são atropelados nos 10 últimos minutos de filme e levam a um final repentino. Os atores principais cumprem o que é necessário, principalmente Langford, muito eficiente no papel de mocinha, enquanto Fiennes-Tiffin transmite a figura séria de Hardin com muita artificialidade, de modo certas vezes robótico.

O início do envolvimento entre Hardin e Tessa [Imagem: Reprodução]

É importante também discutir a mensagem transmitida pelo filme, que pode ser perigosa. Desde o grande sucesso dos livros e da própria fanfiction que originou o legado, existe uma discussão muito pertinente sobre o relacionamento das personagens principais, que por vezes é tóxico e prejudicial para ambos. Hardin apresenta diversos comportamentos problemáticos nas versões literárias da história, como ciúmes extremo e violência, e é perceptível o esforço de atenuar esses fatores no filme, em detrimento da repercussão das polêmicas envolvendo o personagem. Para melhorar sua imagem, há momentos que servem o propósito de construir uma narrativa abusiva no relacionamento anterior de Tessa com o namorado de infância, Noah, como se o envolvimento com Hardin fosse o caminho natural para um namoro saudável.

No entanto, a personalidade inconstante do jovem perpassa todo o conflito da história, e seria impossível desenvolvê-la sem demonstrar sua agressividade descontrolada e sua irresponsabilidade emocional completa. Esse comportamento corrobora com a normalização de atitudes extremamente machistas e controladoras em relacionamentos, prejudicando a noção do que é benéfico e normal, e também do que é tóxico e danoso, principalmente para um público jovem facilmente impressionável e que em grande parte ainda não viveu esse tipo de ligação.

After é uma boa diversão para aqueles que são fãs de romances e paixões intensas, porém deve ser assistido com consciência e crítica, retirando a idealização nociva que permeia o envolvimento de Hardin e Tessa (ou melhor dizendo, Harry Styles e fã).

A versão em longa metragem da história tem estreia prevista no Brasil para o dia 11 de abril, e você pode conferir o trailer aqui:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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