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Além das paredes do Quarto de Jack
CINÉFILOS
18 fev 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Maria Beatriz Barros
mabi.barros.s@gmail.com

Para Jack (Jacob Tremblay), o mundo se resume a um quarto de 10m². Todo o resto, desconhecido por ele, é parte do espaço sideral, de outros planetas. Pelo menos foi assim que sua mãe, “Ma”/Joy (Brie Larson), explicou para o filho o fato de eles viverem em cárcere privado. Ela configura a única relação humana que a criança tem; no mais, seus amigos são a Pia, Privada, Banheira, Mesa, Cadeira e seu cachorro imaginário, Lucky.

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A história do garoto de cinco anos, contada por Emma Donoghue em best-seller homônimo ganhou solidez no filme O Quarto de Jack (Room, 2015). A estrear em 18 de fevereiro no Brasil, o longa concorre a quatro categorias na 88ª Edição do Oscar, Melhor Filme, Melhor Atriz, para Brie Larson, Melhor Diretor, para Lenny Abrahamson e Melhor Roteiro Adaptado para Emma Donoghue.

Joy foi sequestrada há sete anos por um homem sem identidade. Ela vivia sozinha em um quarto sem janelas, cujas unicas visões para o mundo exterior eram a claraboia no teto e a televisão. Eventualmente, ela engravidou de Jack. Afim de dar uma infância o mais próximo do normal para o filho, Joy inventou um mundo que se resumia ao quarto. Assim, a criança poderia fantasiar e brincar como qualquer outra, guardadas as devidas proporções.

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Para Jack, todo domingo um mago, “Velho Nick” (Sean Bridgers), vinha trazer presentes e suprimentos para ele e a mãe, itens que ele supostamente retirava da televisão, com mágica. Durante as visitas do homem, a criança ficava escondida no armário.

A curiosidade de Jack quanto ao mundo começa a aflorar e Ma resolve contar-lhe a verdade. A princípio, o menino nega a existência de um mundo onde todas as coisas da televisão realmente existem, inclusive as pessoas. Notamos aí uma alusão clara à Alegoria da Caverna, de Platão, na qual ele explica a existência do Mundo das Ideias e do Mundo Real. Aos poucos, Jack digere a realidade, então mãe e filho traçam planos para fugir do quarto.

Todo o processo de produção de O Quarto de Jack foi acompanhado de perto por Emma Donoghue. Apesar de muitos diretores estarem interessados na adaptação cinematográfica do livro, ela incumbiu Lenny Abrahamson da responsabilidade. “Acho que foi um salto de fé para nós dois. Ela acreditou que eu faria algo interessante com o livro dela e nós dois trabalhamos para proteger a essência, verdade, beleza e frescor da obra”, diz o diretor em Making Of.

Brie Larson afirma que a presença de Emma no set foi essencial para a produção do longa. “Me sinto com sorte por ela acreditar tanto em mim como artista e vê-la se emocionar com as cenas que fazíamos”, diz ela. A atriz se destaca pela atuação excepcional. Mesmo sem ser mãe na vida real, ela encarna o instinto maternal, muito inspirado por Jacob Tremblay. “Aprendi muito sobre a força das mulheres e como o amor de uma mãe é feroz. Todo dia eu ficava pasma com a magia que era feita”, afirma a atriz.

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Enquanto Larson é a atração do primeiro ato do filme, Tremblay brilha no segundo. “Não posso pensar em nenhum outro filme que dependa tanto de uma criança como este”, declara Emma Donoghue. “Jake não é só profissional, é maravilhosamente natural. Ele sempre mantém esse toque de novidade e aí ele sai do set, brinca com os Transformers dele por uns 10 minutos e, então, ele literalmente mergulha na tomada seguinte”, completa a roteirista. A função de Jake não é interpretar só uma criança, mas uma criança completamente confusa, assustada e curiosa, sentimentos esses desconhecidos por muitos da sua idade, que ele sabe interpretar com maestria.

O longa venceu o Grande Prêmio do Público no Festival Internacional de Cinema de Toronto 2015, foi premiado pelo Critcs’ Choice Awards na categoria Melhor Jovem Ator ou Atriz para Tremblay; Globo de Ouro com Brie Larson, BAFTA, SAG entre outras premiações.

Confira o trailer!

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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