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Além de bola, taco e bastão
ARQUIBANCADA
06 jun 2016 | Por Jornalismo Júnior

Por Lázaro Campos Junior

(Foto: Baseball Health Network)

(Foto: Baseball Health Network)

Em países como Estados Unidos, Cuba e Japão, o beisebol é uma paixão nacional. Um exemplo da importância desse esporte nesses países foi a inclusão do beisebol na visita do presidente norte-americano Barack Obama à Cuba. A partida entre a equipe do Tampa Bay Rays (da MLB, liga profissional de beisebol dos Estados Unidos) e a Seleção Cubana mostrou como esse esporte consegue unir países tão opostos. Apesar da popularidade na terra do Tio Sam, nos países caribenhos e no extremo oriente, no Brasil, a divulgação e popularidade dessa modalidade é ainda pequena se comparada às de outros esportes coletivos como futebol, vôlei ou basquete. A prática desse esporte vai além da bola, da luva e do bastão. Porém, antes de conhecermos as regras, voltemos um pouco na história para encontrar a formação do beisebol.

Logo da MLB (Foto: reprodução)

Logo da MLB (Foto: reprodução)

Assim como no caso do futebol, o beisebol também teve modalidades predecessoras com regras diversas. Em 1755, registros do inglês William Bray já descreviam um jogo com bases, chamado de “rounders”. Em 1796, na Alemanha, já havia registro de um jogo envolvendo rebatidas. Mas foi só na década de 1830 que o beisebol como conhecemos hoje tomou forma mais consistente. Nessa época, o jogo “round-ball” ou “base-ball” (derivado do esporte inglês críqute) já era praticado nos EUA e foi em 1839 que (ainda não comprovadamente) Abner Doubleday, militar norte-americano,  adaptou as regras do críquete criou o beisebol. Seis anos depois, Alexander Cartwright (membro do clube Knickerbockers, de Nova York) estabeleceu regras padrões através da quais ele ficou conhecido como “o pai do beisebol.” A primeira partida oficial de beisebol foi realizada em 19 de junho 1846, entre os clubes Knickerbockers e o New York Nine, com vitória do Nine por 23-1.

Logo da Confederação brasileira de Beisebol e Softbol/CBBS (Foto: reprodução)

Logo da CBBS (Foto: reprodução)

No Brasil, o esporte foi trazido por norte-americanos envolvidos em empresas como a Light e Frigorifico Armour, a partir dos anos 1850. Com a chegada de imigrantes japoneses, em 1908, a prática foi fortalecida por esse grupo, no entanto, sem alcançar a popularidade de outros esportes coletivos. Nos Jogos Olímpicos, em 1912 a modalidade teve status de modalidade de exibição e foi oficializada em Barcelona 1992. Porém, por decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI), o esporte foi retirado do calendário de competições a partir de Londres 2012, sem previsão de um retorno.

O Jogo

O campo de jogo de beisebol tem formato de um diamante e é dividido em duas partes: o infield e o outfield. O infield compreende a área de rebatida e corrida através da bases. Já o outfield é a área mais distante. A área compreendida por infield e outfield é a parte em que se dá o jogo. O que fica por fora (nas laterais) dessa área é chamado de foul.

Representação do campo (Foto: Donas da Bola)

Representação do campo (Foto: Donas da Bola)

A dinâmica de ataque e defesa funciona dessa seguinte maneira: a equipe no ataque tem por objetivo rebater o arremesso do time em defesa e completar uma corrida entre as 4 bases do infield. A equipe em defesa tem por objetivo impedir que essa corrida, a volta completa pelas 4 bases, seja realizada. O impedimento do progresso da corrida é feito quando o defensores de base consegue ter em mãos a bola, na base, antes que o rebatedor chegue a base almejada.

O jogo é estruturado em até 9 entradas (innings). Cada entrada é composta por dois turnos. Por exemplo, se a entrada começou com a equipe A atacando contra a equipe B, ao final do primeiro turno, seja com corridas completas da equipe A ou não, as posições são invertidas. O segundo turno é realizado com a equipe B no ataque e a equipe A na defesa. Terminado esse turno, a entrada também se encerra. A eliminação (out) de três atacantes leva ao final de um turno. Vence a equipe que efetuar mais corridas ao final das 9 entradas – ou até mesmo antes, quando não houver chance de empate em quantidade de corridas.

Ao final de 9 entradas não pode haver empate, sendo disputada entradas extras até a definição de um vencedor.

Posições

Arremessador (Pitcher): tem por função arremessar a fim de evitar a rebatida do atacante. A cada arremesso não rebatido, é contado um strike, desde que a bola seja lançada na “ zona de strike”, entre o joelho e o peito do rebatedor e sob a base. O strikeout é a eliminação do rebatedor, que acontece no 3º strike sobre o mesmo rebatedor. Se houver eliminação de 3 rebatedores, o turno se encerra.

Zack Greinke, jogador da Major League Baseball, atua como pitcher (Foto: Gary A. Vasquez/ USA Today Sports)

Zack Greinke, jogador da Major League Baseball, atua como pitcher (Foto: Gary A. Vasquez/ USA Today Sports)

Rebatedor (Hitter):  é o jogador de ataque. Seu objetivo é rebater a bola e completar a corrida pelas bases. A rebatida é válida se for na direção fair. Ao alcançar uma base antes que defensor dessa tenha em mãos a bola, há a conquista da base. Quando o rebatedor conquista uma base, ele permanece nela enquanto outro atacante passa a rebater e continuar a corrida. Caso sua rebatida leve a bola além do campo todos os atacantes em bases, além do rebatedor, completam a volta pelas 4 bases.

Receptor (Catcher): jogador responsável por pegar as bolas lançadas pelo arremessador, caso o rebatedor falhe na sua tentativa. Além disso, o receptor também orienta o arremessador quanto à melhor forma de lançar a bola.

Primeira-base (First Baseman): Tem por função defender a primeira base. A defesa é feita em tentar receber a bola antes da chegada do rebatedor na 1ª base, ou seja, realizar a eliminação.

Jackie Robinson, primeiro jogador afro-americano da Major League Baseball da era moderna. Atuava como primeira e segunda base (Foto: SABR)

Jackie Robinson, primeiro jogador afro-americano da Major League Baseball da era moderna. Atuava como primeira e segunda base (Foto: SABR)

Segunda-base (Second Baseman): Na segunda base, exerce a mesma função do Primeira base.

Terceira-base (Thrid Baseman): Na terceira base, exerce a mesma função do Primeira e do Segunda-base.

Interbase (Shortstop): Sua função é defender a região entre a 2ª e a 3ª base, realizando também as eliminações na 2ª base.

Campista Direito (Right Fielder): Defensor da região direita do outfield, área além do infield. Sua defesa consiste em pegar a bola rebatida. Se essa posse for feita sem que a bola quique no chão, a eliminação do rebatedor é automática (isso também vale para o defensores de base). Com o quique, sua tarefa é lançar a bola até o defensor da base para qual o ataque está se direcionando.

Campista Esquerdo (Left Fielder): Exerce a mesma função do Campista Direito, mas na região esquerda do outfield.

Campista Central (Center Fielder): Exerce a mesma função do Campista Direito e do Campista Esquerdo, mas na região central.

Erros

Os erros são cometidos pelos defensores. São contabilizados no placar aqueles decisivamente favorecem a equipe em ataque.

Um Lançamento Errado (Throwing) ocorre quando o lançamento entre os defensores impossibilita o apanhar da bola, seja por lançamento alto ou baixo. Caso um Lançamento Errado leve a bola para fora do campo, à arquibancada, cada atacante corre duas bases automaticamente

A Defesa Perdida (Fielding) é contabilizada quando uma defesa “fácil” não é realizada. Um exemplo possível é a falha de um Campista que deixa de apanhar com a luva a bola em uma lenta descendente.

Placar

O placar do jogo é estruturado da seguinte forma: são contabilizados as corridas em cada entrada. Além disso são marcados também o total das corridas (R – runs); as rebatidas totais (H – hits); os erros totais (E – errors).

São contabilizados nele:

Os Runs (R), corridas completas – não somente contados no total, são contados a cada entrada;

Os Hits (H), rebatidas;

Os Errors (E), erros.

BOSTON - OCTOBER 16: The final scoreboard is seen after the Boston Red Sox defeated the Tampa Bay Rays after game five of the American League Championship Series during the 2008 MLB playoffs at Fenway Park on October 16, 2008 in Boston, Massachusetts. The Red Sox defeated the Rays 8-7 to set the series at 3-2 Rays. (Photo by Jim McIsaac/Getty Images)

(Foto: Jim McIsaac/Getty Images)

O Beisebol na prática: conversa com Erick Kimura

O Arquibancada também conversou com quem vivencia o beisebol na prática. Conversamos com Erick Kimura, 18, jogador da equipe Ibiúna (cidade distante 75 km da capital), afiliada à Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS).

Arquibancada: Como você conheceu o Beisebol? E o que te atraiu no esporte?

Erick Kimura: Meu pai joga beisebol desde criança, a partir dos meus 5 anos de idade ele me levava para os jogos dele e desde já comecei a treinar. Gostei do esporte no primeiro contato por ele me proporcionar diversas coisas, como as amizades, disciplina, condicionamento físico e viagens. O que me atraiu também é a combinação da parte mental e física para se obter sucesso no esporte.

A: Você joga em qual posição?

E.K: Eu jogo em qualquer posição, mas nos últimos campeonatos tenho me destacado como arremessador.

A: Uma das maiores ligas de beisebol (se não a maior) é a MLB. Quais são os times de mais tradição e jogadores mais icônicos do esporte?

E.K: Sim, a MLB é o topo do beisebol mundial, sem dúvidas o time mais tradicional é o NY Yankees, com 27 World Series*. Jackie Robinson, o primeiro negro no beisebol, Bary Bonds, Derek Jeter, entre outros jogadores que marcaram gerações.

*World Series é a final da MLB, disputada em uma melhor de 7. Equivale ao Super Bowl da NFL, liga profissional de futebol americano.

A: Você particularmente, torce pra algum time? Qual é o seu jogador preferido?

E.K: Particularmente não torço pra nenhum time, gosto de ver todos os times e jogadores fazendo jogadas incríveis. Meus atletas preferidos Ken Grifey Jr e Zack Greinke.

A: Existe no jogo alguma posição de maior destaque, ou que domine as premiações?

E.K: O arremessador sempre tem um destaque extra,  pois ele está no domínio do jogo. Não existe esse domínio de premiação por posição.

A: Para quem tem interesse em começar a praticar o esporte, o que pode ser feito?

E.K: Bom, vai depender da faixa etária da pessoa. Aqui na região de São Paulo tem o estádio Mie Nishi que se localiza no Bom Retiro. Lá é mais interessante para crianças, pois existem categorias de base e é o mais perto pra quem mora na capital. Existe a liga dos iniciantes para quem já tem uma certa idade, por exemplo, a partir dos 18.

O Arquibancada também contatou a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol a cerca dos locais de prática do beisebol na capital paulista aos interessados.

Localizado no bairro do Bom Retiro, na Avenida Presidente Castelo Branco, 4556, está o já citado Estádio Municipal.

Na cidade de Ibiúna, onde o nosso entrevistado joga, está localizado o Centro de Treinamento, no Km 58,5 da Rodovia Bunjiro Nakao.

Além disso, todos clubes filiados à Confederação possuem seus estádios:

Anhanguera, em Santana de Parnaíba;

Cooper Clube, Rodovia Raposo Tavares Km 19,5;

Em Arujá há dois clubes: Gecebs e Nippon Country Clube.

No Brasil, a MLB é transmitida pelo canais de televisão por assinatura ESPN e Fox Sports. A temporada se estende de abril a outubro.

Arquibancada
O Arquibancada é a editoria de esportes da Jornalismo Júnior desde 2015, quando foi criado. Desde então, muito esporte e curiosidades rolam soltos pelo site, sempre duas vezes na semana. Aqui, o melhor de todas as modalidades, de todos os pontos de vista.
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