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Amityville: o despertar de mais um pouco do mesmo
CINÉFILOS
13 set 2017 | Por Jornalismo Júnior

Ir assistir ao décimo filme de uma saga de terror com um pé atrás é quase natural. Principalmente quando se trata do assunto mais batido entre os terrores das telonas: a casa mal assombrada. Indo com um pé atrás, logo, há chances do espectador ser surpreendido positivamente. Afinal, não é que aquele “só mais um Amityville” acabou lhe pregando uns sustos? Conclusão fácil, e que provavelmente trará a Amityville: O Despertar (Amityville: The Awakening, 2017) um relativo sucesso de bilheterias mesmo após a estrondosa e recente estreia de It: A Coisa (It, 2017), que já lidera o ranking de faturamento no mundo do terror deste ano.

É uma conclusão, porém, que não eleva o filme a um patamar de qualidade considerável. Porque não é só de sustos que vive o terror, mas de uma série de outros fatores que não é necessário  elencar aqui, pois são os mesmos a qualquer outra categoria do cinema. O que mais irrita seriamente, aliás, é o terror que serve apenas para assustar, mandando outros recursos tão preciosos para o espaço e se limitando a incessantes jumpscares. O mais novo Amityville não é exceção. Ele é mais um dentre tantos com um roteiro previsível, personagens fracos, passagens bem cafonas, maquiagem exageradas. Uma produção insossa, insistindo na tentativa vã de dar sobrevida a uma série que já deu o que tinha que falar há tempos.

Vamos ao enredo: a história se passa 40 anos após o evento real que deu origem a toda a saga. Em 1974, um estranho assassinato acabou com seis integrantes da família DeFeo, todos mortos a tiros em suas respectivas camas, dentro de uma casa no vilarejo de Amityville. O único sobrevivente foi Ronald DeFeo Jr, o filho mais velho, que se entregou às autoridades como culpado e que até hoje pode ser encontrado detido na penitenciária de Green Haven. O assassinato envolve questões nunca respondidas com clareza, a exemplo: como alguém conseguiria matar a tiros seis pessoas, localizadas em cômodos distintos, sem sinais aparentes de reação e de sedação? Como não acordaram com o barulho, não se moveram? Por seus mistérios, a casa se popularizou como mal assombrada e virou um ícone do terror nas telas.

Na mais recente versão, uma família com mãe solteira e fatigada, filha pequena, outra mais velha de estilo gótico/muita sombra preta/temperamento complicado, e um filho em estado vegetativo, em coma já há dois anos, mudam-se para o local mal assombrado. Todos na cidade conhecem o histórico da casa e pouco demora para que Belle (Bella Thorne), a adolescente que no começo já se mostra protagonista, descubra sobre ele.

Desde o início, ouvem-se vozes em sussurros e a madeira ranger. Barulhos estão por todos os lados e Belle os enfrenta com estranheza e curiosidade. Em uma das primeiras madrugadas, ela já sai espreitando os cantos escuros com seu pijaminha sensual à moda Avril Lavigne, fechando janelas que se abrem sozinhas. Seu irmão, que há anos não demonstrava qualquer sinal de vida, começa a acordar, aparentando desde sua primeira aparição um poderoso chamariz de coisa ruim. Já é fácil imaginar o que virá a partir daí.

Apesar dos pesares — que a propósito são vários — o filme não é de todo ruim. Ele ganha pontinhos favoráveis com as referências cômicas que faz ao passado, quando os novos colegas da classe de Belle a apresentam à sequência de filmes já feitas sobre o seu novo lar em Amityville. Eles conversam sobre os longas como sendo meras ficções e até zombam do remake feito em 2008. Enquanto eles estão no plano real, as produções do passado são invenção, um passatempo para a madrugada numa reunião de amigos.

A trama vai desenrolando vagarosamente. Em meio a uns e outros sustos, perdemos a conta de quantas noites já se foram, rezando para que a última logo esteja por vir. Até que, quando menos se espera, um turbilhão de acontecimentos explodem na tela, como se alguém tivesse apertado o botão do controle remoto para acelerar os quadros. A impressão deixada é que não sobrou tempo para produzir um final no mesmo ritmo do começo, e que a preguiça em reeditar tudo falou mais alto. Um filme de resolução corrida, que acaba repentinamente e sem efeito algum. Assim como o interesse de um público que desligará a televisão ou sairá da sala de cinema antes dos créditos finais para fazer algo de maior relevância.

Assista ao trailer:

por Laura Molinari
lauratmolinari@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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