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Amizades, amores e conflitos que vão muito além do infinito
CINÉFILOS
19 out 2012 | Por Jornalismo Júnior

Você já deve ter lido ou visto diversas histórias sobre adolescentes que apresentavam problemas para se socializar com as pessoas da escola. Mas, ao contrário do que a princípio possa se pensar, o filme As vantagens de ser invisível (The Perks of being a wallflower. 2012.) vai muito além disso. Baseado no livro homônimo do autor e também diretor Stephen Chbosky, o longa narra as amizades, os amores e os conflitos de adolescentes que frequentam o ensino médio, colocando a vida de Charlie, um calouro do ensino médio, em primeiro plano. A estreia nos principais cinemas do Brasil acontece nesta sexta-feira, 19 de outubro.

O clima dos anos 90 permeia o filme, o que não é em vão, já que o livro foi lançado em 1999. O filme proporciona ao público uma viagem ao passado e principalmente à juventude. É feito um retrato da adolescência, que deve ser visto por todos que já esqueceram como é ter 16 anos. Mostra o valor que a amizade tem (e deve ter) nessa fase da vida, que pode ser bastante confusa.

O amor e os relacionamentos perturbados também não ficam de fora: namoros que acabam mal são uma constante no filme. “Nós aceitamos o amor que pensamos merecer”, talvez essa seja uma das principais reflexões colocadas pelo filme ao longo de seu enredo, assim como é o grande carma desses jovens. Todos os amores vividos parecem proporcionais à autoestima exageradamente baixa de cada uma das personagens.

Veja o trailer aqui.

O protagonista Charlie (Logan Lerman) é um calouro do ensino médio que, como muitos, procura seu lugar entre os grupos da escola. As confusões e os problemas que passam pela mente da personagem por vezes emocionam o espectador. Charlie lembra o personagem William Miller (Patrick Fugit), o aspirante a jornalista em Quase famosos (Almost Famous. 2000.). O ponto em comum entre William e Charlie está justamente na descoberta do novo, cada qual a sua maneira. A atuação de Lerman, vencedor de prêmios em 2010 como ator revelação pelo primeiro filme da série Percy Jackson e os olimpianos (Percy Jackson & the olympians. 2010.) é digna de elogios. O ator soube resgatar e exteriorizar as principais marcas do personagem, atendendo de maneira positiva ao papel que se propôs.

Emma Watson mostrou que sabe separar sua figura da famosa bruxa Hermione Granger, da série Harry Potter (Harry Potter series. 2001-2011.), que acompanhou a atriz por dez anos. Sam, sua personagem, aparece repleta de personalidade e vida, e isso é crucial para que em pouco tempo qualquer traço ou lembrança que se pudesse resgatar de Granger logo desapareça. A simpatia de Sam, muito bem explorada por Watson, é capaz de conquistar o público, permitindo a criação de um verdadeiro laço entre espectador e personagem. E não podemos deixar de acrescentar o belíssimo sotaque americano que a atriz trabalhou para o papel.

Já Patrick (Ezra Miller) em certos momentos rouba a cena do filme. A personagem, apelidada de Nothing (Nada, em uma tradução direta) pelos estudantes “populares” da escola, demonstra ao longo da história que seu apelido não combina com sua essência. Carismático, divertido e único, Patrick mostra-se capaz de ver além das aparências e dos rótulos. O ator é intenso em sua representação, conseguindo passar as emoções contrastantes que o papel exigiu.

Um dos pontos de destaque do filme é sem dúvida a trilha sonora. Clássicos dos anos 80 e 90 marcam presença: The Smiths, The Cure, Hole, New Order, Sonic Youth, David Bowie, etc. A música é um elemento importantíssimo no filme, quase como uma personagem, ela interage e nos permite mergulhar verdadeiramente no universo jovem da época, dando mais vida à história. Asleep, da banda The Smiths, tornou-se o ícone de Charlie. Vale ressaltar que as “mixed tapes” possuem um valor muito especial no contexto, pois se mostram capazes de guardar e, posteriormente, exteriorizar as sensações e sentimentos de cada um, unindo as pessoas através da música.

No entanto, o longa também mostra que não é só de música que vive a cultura jovem dos anos 90. Os livros são a base da amizade entre Charlie e seu professor de inglês, Senhor Anderson. Clássicos da literatura chegam às mãos do garoto graças a esse professor, um escritor ainda no anonimato. Sua ligação com os livros, quase tão forte quanto a ligação que ele possui com a música, fato que lhe rende a fama – que ele aceita com boa vontade – de “futuro escritor”.

Casada às grandes atuações e às ótimas referências culturais está a direção de arte. Delicada e precisa, ela dá ao filme um tom jovial e alegre, assim como também proporciona um lado sombrio, sobretudo nas cenas que trazem os conflitos internos do protagonista. A fotografia é responsável por passar as sensações mais particulares das personagens, sem criar nenhum tipo de drama excessivo, mostrando-se muito bem trabalhada. Tanto a arte como a fotografia, são responsáveis por causar sensações fortes ao público, transportando-o para dentro da história. O responsável por esse efeito transportador é Andrew Dunn, diretor de fotografia do longa.

Viajar de volta para os anos da adolescência é para muitos um desejo não atendido. Mas, sem dúvida, esse filme possibilita de maneira plena viver essa experiência de retorno ao passado. Amizades verdadeiras, conflitos, medos, descoberta do amor. Todas essas experiências, que marcam a juventude, estão presentes nessa história e nos deixam a vontade de continuar mergulhado naquele mundo de descobertas que, por vezes, saem da ficção e inserem-se na nossa realidade.

Fernando Pivetti e Rúvila Magalhães
fernandopivetti@gmail.com
ruvila.m@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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